Início do conteúdo

UFPel passa a ter política de prevenção e combate a violências

O Conselho Universitário da Universidade Federal de Pelotas (Consun/UFPel) aprovou, na manhã desta sexta-feira (20), a instituição da política institucional “Bem Viver UFPel: Prevenção e Combate às Violências”. O texto completo da resolução aprovada estará disponível, a partir de segunda-feira (23), neste link.

O documento institui fluxos de denúncia, investigação e sanções em casos de racismo, etarismo e violências contra mulheres, pessoas com deficiência e pessoas LGBTQIA+. Também fica estabelecido um processo de acolhimento às vítimas, que envolve a escuta, a orientação e a validação de suas dores. Outro eixo da política é a atuação na formação e na capacitação da comunidade universitária como agente de combate às violências.

“É um momento histórico para a UFPel e para as instituições de ensino superior no Brasil”, comemora a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Daiane Molet, que está à frente do setor que capitaneou a criação da política.

A reitora Ursula Silva ressalta o orgulho em presenciar a Universidade instituindo tal iniciativa. “É um texto robusto e completo sobre o tema”, afirma. Segundo ela, a UFPel toma a dianteira entre as universidades federais quanto ao tema, com uma discussão amadurecida, enquanto outras instituições ainda estão iniciando seus debates.

Tanto Ursula quanto Daiane destacam o caráter coletivo da criação da política, que envolveu integrantes da comunidade universitária – como estudantes, docentes e técnico-administrativos – e da sociedade, por meio de coletivos e movimentos sociais.

A mesma visão é compartilhada pelo professor Márcio Caetano, docente da Faculdade de Educação e conselheiro do Consun: “É um documento de caráter comunitário, amplamente discutido e que contou com a participação da sociedade”. Um dos grandes destaques, em sua opinião, é o fato de que a política reconhece a existência dessas violências na UFPel, mas que estas não serão mais aceitas.

Para o estudante do curso de Geografia Iuri Almeida, a aprovação da política de prevenção e combate a violências proporciona a segurança de ser e estar na UFPel para pessoas que se identificam em diversos grupos sociais: “É a garantia de estar seguro e de ser bem acolhido nas instâncias que se procurar”.

Discussão ampla e participativa

Desde fevereiro do último ano, a Proafe desencadeou uma série de discussões para combater o racismo, o etarismo, as violências contra mulheres, pessoas com deficiência e pessoas LGBTQIA+ no contexto da Universidade, para os quais se compuseram grupos de trabalho específicos. Essas comissões trabalharam por cerca de quatro meses, quando foram redigidas propostas para uma política de enfrentamento.

Após essas discussões e propostas, o setor revisou e ajustou o texto, além de ampliar os encaminhamentos, que chegaram a setores como os Gabinetes da Reitoria e da Vice-Reitoria e Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas. Era a gestação da política institucional.

“A UFPel se colocou nesse lugar pioneiro de pensar o combate ao preconceito”, comenta Daiane, ao explicar que a política teve um processo robusto de constituição, envolvendo, como já dito, não apenas a comunidade universitária, mas também coletivos e movimentos sociais: “Foi construção de pessoas que lutam a muito tempo contra essas violências”.

Ao fim disso tudo, afirma Daiane, ganha-se uma política não da Proafe, mas de toda a instituição, que se responsabilizará como um todo no combate à violência contra esses públicos. “A sociedade ficará ciente de que somos uma instituição que não tolera a violência”, finaliza.

Publicado em 20/02/2026, nas categorias Destaque, Manchete, Notícias.