UFPel integra articulações de combate à desigualdade e violência contra as mulheres
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é uma das entidades engajadas em uma série de ações de combate à violência contra as mulheres e voltadas à diminuição da desigualdade de gênero nas instituições de ensino superior. As iniciativas, em fase de discussão e implementação, estão sendo articuladas pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), sob a liderança do grupo de reitoras e vice-reitoras.
A reitora da UFPel, Ursula Silva, esteve presente no encontro de gestoras realizado no final de janeiro, que debateu a criação do “Protocolo de Intenções para Prevenção, Acolhimento e Enfrentamento da Violência contra as Mulheres nas Universidades Federais”. O documento é construído coletivamente entre a Andifes, o Ministério das Mulheres e o Ministério da Educação. Segundo a Andifes, a iniciativa representa um passo importante no fortalecimento de políticas institucionais voltadas à promoção de ambientes acadêmicos seguros, inclusivos e livres de violências de gênero.
O protocolo prevê iniciativas como ações permanentes de prevenção, núcleos multidisciplinares de acolhimento, políticas institucionais de comunicação, comissões de enfrentamento à violência de gênero e observatórios de igualdade de gênero, oferta de formações continuadas e obrigatórias para toda a comunidade acadêmica, ouvidorias femininas autônomas e programas de incentivo à liderança feminina. O documento deverá ser consolidado na próxima reunião da Andifes, em março.
Outra ação definida pelas gestoras é a realização de uma pesquisa nacional sobre desigualdade de gênero e violências nas universidades. O levantamento já foi realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e apresentado no primeiro encontro de reitoras e vice-reitoras da Andifes Sul em Pelotas, em maio do ano passado. O instrumento de pesquisa será atualizado e estendido a todas as universidades públicas em busca de um panorama nacional desses dados.
Banco Vermelho
Ícone na luta pelo feminicídio zero, o banco vermelho busca sensibilizar a sociedade sobre a violência contra a mulher. As reitoras e vice-reitoras também deliberaram a inauguração de novas instalações nas dependências de suas universidades, de forma conjunta. A ação deverá ocorrer no dia 09 de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 08.
Cada banco exibe mensagens sobre os cinco tipos de violência listados na Lei Maria da Penha e informações sobre o canal de denúncias Ligue 180. A cor vermelha simboliza o sangue das vítimas e serve como alerta para a urgência no enfrentamento à violência de gênero. O móvel representa um convite a sentar e refletir – e, na sequência, levantar e agir.
A UFPel já possui um banco vermelho instalado, no Campus Capão do Leão. A inauguração ocorreu em agosto do ano passado e é um resgate à memória da professora Cláudia Hartleben, do curso de Biotecnologia, desaparecida desde 09 de abril de 2015.
O próximo banco vermelho da UFPel, que deverá ser instalado em março dentro da ação nacional da Andifes, ficará localizado no Campus Anglo. De acordo com a reitora, a Universidade pretende instalar bancos vermelhos também em outros campi como forma de manter o debate permanente e a conscientização da comunidade acadêmica e da população sobre a prevenção da violência contra a mulher. O calendário de inaugurações está sendo elaborado pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe).
Articulação nacional, expressão local
A reitora da UFPel salienta o impacto dessas ações na busca por diminuir a violência no país, que enfrenta um alto índice de feminicídio. De acordo com ela, tanto a proposta da instalação dos bancos vermelhos quanto da pesquisa partiram das reitoras e vice-reitoras da região Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul -, expressando a dedicação das gestoras locais para com a temática. “É um orgulho para nós que estejamos tendo esse espaço de discussão na Andifes, com acolhimento dessa pauta e o envolvimento bastante comprometido do MEC”, comemorou.
Ursula lembra ainda que, na linha dessas ações, a UFPel está representada junto ao Comitê Gaúcho Impulsor HeForShe, coletivo que reúne instituições de ensino superior do Rio Grande do Sul com o objetivo de desenvolver ações conjuntas que ampliem o debate público, enfrentem desigualdades estruturais e promovam ambientes institucionais mais seguros, equitativos e responsáveis. O vice-reitor Eraldo Pinheiro representa a UFPel na rede.
*Com informações da Andifes
