Projeto da UFPel contribui para a preservação e a acessibilidade do patrimônio cultural das Ruínas das Missões
Equipe de docentes e estudantes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) atua, desde o início de setembro, na formação de profissionais da construção civil, com o objetivo de contribuir para a conservação e manutenção das quatro ruínas jesuíticas guaranis. As oficinas do projeto “Saberes das Missões“, que se estendem até sexta-feira (19), são realizadas em São Miguel das Missões. No canteiro de obras do local, a Universidade treina artífices para aliar a intervenção à preservação histórica no contexto específico de espaços em ruínas. O projeto da UFPel é realizado em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura.
Além das oficinas com 18 artífices locais, a UFPel tem atuado em encontros de educação patrimonial. A ação “´Diálogos sobre o Patrimônio” busca aproximar as e os participantes dos saberes e fazeres dos artífices e fortalecer o senso de comunidade, por meio do reconhecimento de suas referências culturais. As atividades de formação envolvem também professoras e professores da região. Já foram desenvolvidas formações em São Miguel das Missões, São Nicolau, Entre-Ijuís e São Luiz Gonzaga, em parceria com as Secretarias Municipais de Educação.
Preservação com acessibilidade
No contexto do “Programa Conviver – Canteiros Modelo de Conservação”, a UFPel e o Iphan continuaram com o levantamento fotogramétrico em São Miguel das Missões — processo de identificação das características físicas de uma área por meio de imagens — e à coleta de informações para diagnóstico das condições de acessibilidade espacial. A intenção é adequar o sítio arqueológico, declarado patrimônio mundial, cultural e natural, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), à legislação e às condições específicas para pessoas com deficiência.
A pesquisadora da UFPel sobre acessibilidade em sítios históricos, Isabela Andrade, explica que a Universidade busca identificar as condições técnicas do espaço e a percepção de possíveis usuários e usuários em relação à acessibilidade. A preservação do patrimônio histórico precisa estar associada à possibilidade de utilização do bem público por todas as pessoas, com ou sem deficiência. “É a complexidade que incide sobre o bem, considerando que é patrimônio da Unesco, e tem toda a questão relacionada à preservação. Associada a isso há toda a legislação que garante que os espaços públicos sejam acessíveis a todas as pessoas”, comenta.
Em suas próximas etapas, o projeto permanecerá atuante na formação e qualificação de profissionais para a conservação e manutenção dos quatro sítios missioneiros da região. Também prevê a edição de livro com as principais ações já desenvolvidas, o diagnóstico das condições de acessibilidade, sob o ponto de vista técnico e das percepções de usuárias e usuários do Parque Arqueológico de São Miguel, a continuidade das atividades de educação patrimonial e o fortalecimento das parcerias com as instituições de ensino da região. Para fins de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, a equipe planeja experimentação com maquetes táteis e interfaces tangíveis. As representações dos quatro sítios históricos, a serem instaladas no local, destinam-se à comunicação por meio do tato.
Parcerias e Avaliação de Políticas Públicas
Durante o período de desenvolvimento das oficinas com profissionais da construção civil, a equipe da UFPel também se articulou com instituições de ensino atuantes na região para o planejamento de seminário sobre conservação de sítios históricos, previsto para março de 2026. Já no campo de avaliação de políticas públicas, a equipe realizou entrevistas com representantes da administração de entidades federais, o Iphan e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e dos quatro municípios que abrigam os sítios arqueológicos.
O objetivo é a elaboração de diagnóstico sobre as dificuldades e as possibilidades de parceria na gestão dos bens culturais. Também foram ouvidas as lideranças Mbya Guarani, da aldeia Tekoa Koenju. Essas comunidades apresentaram suas demandas sobre o patrimônio e a manutenção de seu modo de vida na aldeia e nas ruínas missioneiras.
