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Atleta de projeto da UFPel é contratada por clube profissional de rugby

“Estou muito feliz e realizada. Nunca imaginei que um dia eu seria jogadora profissional”. Esse é o sentimento de Kimberly Oliveira, 17 anos, que acaba de ser contratada pelo Melina Rugby Clube, de Cuiabá, Mato Grosso. A jovem é a primeira atleta do projeto “Vem Ser Rugby”, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), selecionada por uma equipe profissional.

Kimberly é uma das cinco integrantes do projeto que passaram por testes no Melina Rugby durante o mês de fevereiro. As colegas também causaram uma impressão positiva na equipe e seguem sendo sondadas para uma possível contratação futura. O coordenador do projeto, professor Eraldo Pinheiro, conta que o destaque é motivo de orgulho e indica que o projeto caminha no rumo certo.

O “Vem Ser Rugby” surgiu em 2017 e identifica, nas escolas públicas da periferia de Pelotas, meninas com altas habilidades motoras. Elas são convidadas a participar do projeto, que tem a missão de desenvolver atletas a longo prazo, com uma proposta multiprofissional. Além de ensinar o esporte, o projeto oferece suporte, além de educação física, nas áreas de Psicologia, Nutrição, Odontologia e Fisioterapia, envolvendo estudantes e professores da UFPel, com o apoio da Prefeitura de Pelotas.

Nesta segunda-feira (08), Kimberly embarcou para sua nova morada, que junto como sonho traz também uma rotina intensa de treinos, pela manhã e à tarde. A atleta ingressou no projeto em 2018 e credita a conquista à família, às pessoas que sempre a apoiaram e, claro, ao projeto da UFPel. “O ‘Vem Ser’ é a minha segunda família e me fez me tornar quem eu sou hoje. Sou muito grata a todos eles”, diz. Sobre o futuro, conta: “espero que eu possa seguir sendo quem eu sou e me esforçando cada vez mais para ter resultados como esse”.

Desenvolvimento de atletas e produtos acadêmicos
Além de preparar atletas, o “Vem Ser Rugby” traz inúmeros “produtos acadêmicos”, conforme conta Pinheiro, que também é pró-reitor de Extensão e Cultura da UFPel. De acordo com ele, a partir do projeto formam-se professores e demais profissionais, dando origem ainda a produções como uma dissertação de mestrado, três trabalhos de conclusão de curso, uma tese de doutorado (em desenvolvimento), 12 artigos publicados e um acompanhamento de pós-doutorado. Ou seja, ciência, esporte e comunidade unidos.

Dentre os exemplos de envolvimento das diferentes áreas do conhecimento estão oficinas e atividades relacionadas à psicologia do esporte (em treinos e competições), orientações nutricionais e desenvolvimento de dietas às atletas. “O projeto trabalha com a formação da cultura de rugby. Essa prática, relacionada à ciência e aos produtos acadêmicos, só nos fazem pensar que estamos no rumo certo. Quando a gente consegue levar ciência para a prática, as coisas acontecem”, celebra Pinheiro, destacando que o envolvimento dos pais das jovens atletas proporcionou um salto no projeto, assim como o começo das competições estaduais contra meninas mais velhas.

Segundo o coordenador, apesar da impressão que pode causar inicialmente – por selecionar as atletas com características específicas – trata-se de um projeto inclusivo. Afinal, muitas poderiam nunca saber de seus talentos e desenvolver suas habilidades se não tivessem sido identificadas e convidadas.

Hoje, participam do “Vem Ser Rugby” cerca de 30 meninas, entre 14 e 17 anos, todas de escolas públicas da periferia. Com a pandemia, os treinos, que ocorrem de duas a três vezes por semana, são virtuais, e dispõem de conteúdo físico e de habilidades técnicas. Além disso, há encontros virtuais com as equipes de Psicologia, Nutrição e Fisioterapia.

A dedicação tem levado as representantes do projeto a altos voos. O grupo já coleciona títulos, como segundo lugar no Campeonato Gaúcho (menores de 19 anos) em 2019, campeãs da Taça RS (menores de 19 anos) também em 2019, campeãs da Taça Prata Valentin Martinez (Uruguai, 2019), vice-campeãs da Taça Ouro Valentin Martinez (Uruguai, 2019), vice-campeãs do Campeonato Gaúcho 2018 e terceiro lugar no Campeonato Brasileiro Rugby Sub-17 em 2019. As atletas pelotenses também são monitoradas pela seleção brasileira.

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