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Dia da Mulher reforça a luta daquelas que são a maioria da UFPel

Maria Elizabeth, 73 anos. Gabriele, 17 anos. Entre elas, gerações e perfis de mulheres que compõem a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Alunas – como as duas são -, técnicas e professoras que representam 55,57% do universo da UFPel. Sejam jovens, experientes na vivência, no início da graduação ou na vanguarda de sua área de atuação, de todos os biotipos e histórias de vida, as variadas formas de ser e estar mulher estão presentes na Universidade. Ocupando espaços, atravessando desafios, rompendo silêncios, empoderando-se e abrindo caminho para as que vêm junto ou virão depois delas.

Ingressar no doutorado em Enfermagem foi natural para ela. Aos 73 anos, Maria Elizabeth Gastal Fassa sempre dedicou a vida aos estudos – e à transformação que a educação e saúde podem fazer na vida das pessoas. Graduada em Direito e Psicologia, com diversas especializações e dois mestrados, ela atua como pesquisadora colaboradora do Departamento de Medicina Social da UFPel. Coordenadora pedagógica da Especialização e do Mestrado Profissional em Saúde da Família, Maria Elizabeth acompanha os cursos desde sua instalação. “Saúde e educação devem ser públicas e de qualidade. Muito investimento deve ser voltado a essas áreas”, opina.

Mãe de três filhos, atuando como psicóloga e assessora em escolas, além de pesquisadora e doutoranda, ela não faz distinção entre estudo e trabalho. Para ela, a forma mais usual de estar inserida na sociedade é o trabalho. “Junto ao estudo, ele contribui para o mundo e a sociedade. E a mulher precisa estar participando continuamente disso”, analisa. Assim, para Maria Elizabeth a busca pela qualificação constante é espontânea. Traz a convivência com pessoas cheias de entusiasmo e energia. Traz resultados que podem ser aplicados na prática. “A gente tem que viver para mudar o mundo. Busco fazer esforço nesse sentido”.

Gabriele Peschke, 17 anos, é uma das poucas mulheres em uma sala majoritariamente masculina. Estudante do segundo semestre de Ciência da Computação, a jovem, natural de Nova Santa Rita, sempre foi apaixonada pelas Ciências Exatas. A área estava claramente definida; faltava o curso. Apostou na Computação e acertou. Se sente à vontade na graduação e com o grupo de colegas. Para ela, os desafios pelos quais passam as mulheres vão sendo superados aos poucos. “Se a gente não tentar, nunca vai saber”.

Desafios
O ambiente universitário precisa ser sensibilizado para o respeito nas relações humanas. O alerta da coordenadora do Núcleo de Gênero e Diversidade (Nugen) da UFPel, Eliane Pardo, vem ao encontro dos sentimentos de silenciamento e sufocamento que as mulheres ainda enfrentam nos espaços acadêmicos. Seja no constrangimento do assédio, moral ou sexual, seja no não-dizer daquilo que incomoda.

Para a coordenadora, um trabalho de suporte a essas questões vem sendo preparado desde o surgimento do Nugen, no ano passado, reforçando a militância feminista da comunidade acadêmica.

Temas como o mapeamento do gênero feminino na Universidade – incluindo posições de liderança -, e ações de acolhimento – primeiramente junto às estudantes -, estão nas próximas pautas do grupo. Para este ano, também deverão ser realizadas ações e campanhas em conjunto com outras instituições, como o Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, como brechó, rodas de conversa e formação de multiplicadores para questões de gênero.

Um espaço de aconselhamento jurídico deve começar em breve a ocorrer uma vez por semana, sendo no futuro ampliado com um acolhimento voltado a situações de violência contra a mulher. Para o primeiro semestre deste ano, o Nugen oferece, no currículo universal, a disciplina “Corpo, Gênero e Sexualidade”. Além disso, uma resolução institucional sobre assédio deverá ser elaborada.

Segundo Eliane, a intenção é que a Universidade não apenas atue na resolução das questões, mas seja protagonista e evite que elas ocorram. Para isso, conta com o apoio de ativistas da UFPel, inclusive ligadas às lutas das mulheres indígenas, negras, lésbicas, bissexuais e transgênero. “É preciso respeito, conversa, denúncia. Depois do 8 de março, o que acontece?”, instiga.

Contra o assédio
Conforme a professora, dentro do ambiente universitário os assédios moral e sexual podem vir misturados. A característica principal a acender o alerta é o constrangimento. “Estamos numa instituição hierárquica, onde há uma relação de poder. Usar posição ou titulação para tentar induzir determinados comportamentos é constrangedor”, diz.

Se se sentir assediada, a mulher pode procurar o Nugen e, com o suporte do Núcleo, registrar a ocorrência junto à direção da Unidade onde o caso ocorreu. O encaminhamento, a partir daí, é feito conforme cada situação. O Nugen fica no Campus 2 (Rua Almirante Barroso, 1.202) – Sala 112. O atendimento é de segundas a sextas-feiras, das 15h às 20h. Contatos podem ser feitos pelo telefone (53) 98108-1300, pelo e-mail nugenufpel@gmail.com ou pela página do Núcleo no Facebook.

Para debater e transformar
Diversas ações estão sendo realizadas para marcar a data e trazer debates sobre o ser e estar mulher. A programação na UFPel começou já na quarta (7) com uma mesa-redonda promovida pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP), que trouxe a fala de servidoras a respeito dos desafios no mundo do trabalho e do serviço público.

Nesta quinta (8), ocorre a roda de conversa “Modos de Ser e Estar Mulher: Conversando sobre a Autoestima”. O encontro é promovido pelo Núcleo Psicopedagógico de Apoio ao Discente da UFPel (NUPADI) e trará o enfoque no cuidado de si, nas questões relacionadas à saúde física e emocional, e fatores de prevenção às possíveis fragilidades desse percurso de ser e estar mulher. O debate será às 14h, no Auditório do Campus 2 (Rua Almirante Barroso, 1.202).

Também em alusão à data nesta quinta (8) o Programa de Educação Tutorial (PET) Educação promove mais uma edição do projeto “Leitura para Meninas”. O grupo de títulos selecionados tem em comum personagens que extrapolam os clássicos papéis destinados culturalmente ao gênero feminino e, nas tramas, há perfis, ideias e desfechos inusitados, inteligentes, bem-humorados, afetivamente includentes e com lógicas não-violentas. As “Leituras para Meninas” começam às 9h e vão até as 11h, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Fernando Treptow (Rua Ernani Fornari, 221 – Fragata).

E o Nugen, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e a Casa Cultural Las Vulvas promove o “Feminário: Corpo e Resistência”. O encontro começa nesta quinta (8) e vai até domingo (11), trazendo temas como “Mulheres Indígenas”, “Mulheres com Deficiência, Transtorno do Espectro Autista e Síndrome de Asperger”, “Mulheres e Feminismo Negro”, “Mulheres Lésbicas, Bis e Trans”. A programação completa está na página do evento no Facebook. Todas as ações serão na Casa Las Vulvas, que fica na rua Anchieta, 949.

As mulheres da UFPel
Além de serem maioria na comunidade acadêmica, elas também predominam nas três categorias: alunas, técnicas e docentes. E mais: a titulação de técnicas e docentes é mais alta que a dos homens.

Técnicas-Administrativas
São mulheres 56,38% dos 1,3 mil servidores dessa categoria.

Docentes
As professoras são 50,68% dos 1,4 mil servidores docentes.

Alunas
Dos estudantes de graduação, 55,46% são do gênero feminino. Na pós-graduação, as mulheres também são maioria: 59% de alunas.

Fonte: Coordenação de Processos e Informações Institucionais da UFPel
*A Universidade não possui dados referentes às mulheres nos serviços terceirizados.

Publicado em 08/03/2018, em Destaque, Notícias.