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Navegando na História marca os 16 anos do Corredor Arte do HE

alunos-jornalismo-ucpelO Corredor Arte do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas completou 16 anos de atividades no último dia 18. Pelo espaço já passaram pintores, fotógrafos, artesãos e uma miscelânea de talentos que encontraram no HE um espaço para mostrar sua produção.

O projeto, que começou em 2000, foi a junção de esforços do Departamento de Comunicação do HE e do então Instituto de Letras e Artes, como parte do projeto de extensão Arte e Saúde do ILA.

No âmbito hospitalar, o corredor é um meio de transportar pacientes e funcionários para uma atmosfera mais descontraída, humanizada. A arte, em sua base teórica e prática, tem valor terapêutico, e pode ser um refúgio para quem está passando por um momento difícil.

A exposição comemorativa, de número 319, conta com fotos dos alunos do curso de jornalismo da Universidade Católica de Pelotas feitas para a avaliação na disciplina de fotojornalismo. A atividade foi proposta pelo professor Nauro Júnior e aceita com satisfação pelo grupo de alunos, que têm usado as redes sociais para divulgar o resultado de seu trabalho.  Estão participando da exposição os alunos: Gabrielle Goulart Lima, Stefanie Furtado, Betânia Bierhals, Nícolas Espilman, Júlio Araújo, Edson Silva, Wuallyson Botellho, Vitória Almeida e Pamela De Ávila da Costa.

Exposição Navegando na História

Fotografia significa escrever com a luz. Acredito que em um curso de jornalismo, a fotografia tenha a missão de contar histórias, informar e imortalizar momentos históricos.

A primeira fotografia foi feita em 1826, pelo francês Joseph Niépce, e a partir dela o mundo passou a se comunicar gradativamente através de imagens.

Com este advento, as pessoas abriram uma janela para o mundo. Se antes precisávamos de tradutores para que mensagens vindas do outro lado do mundo chegassem até nós através da comunicação escrita ou falada, com a fotografia passamos a receber mensagens diretas.

Só que a produção fotográfica era um privilégio de poucos, pois as técnicas de captação e revelação eram complicadas e os equipamentos caros.

A popularização da tecnologia digital fez com que o fazer fotográfico e seus paradigmas se modificassem drasticamente. Se antes fotografar era um direito dos profissionais, a digitalização fez com que o mundo passasse a se comunicar através de imagens.

Com preços cada vez mais acessíveis, as máquinas fotográficas começaram a se proliferar. A tecnologia chegou aos aparelhos celulares e todo mundo passou a portar uma máquina portátil, democratizando o fazer fotográfico e transformando a fotografia em uma forma de comunicação de massa.

Como professor de fotografia no curso de jornalismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), lancei o questionamento em sala de aula:

– Qual a verdadeira função do fotojornalismo na sociedade atual?

Chegamos a algumas conclusões. Uma delas é que a fotografia sempre terá a função de documentar a história e transformações da sociedade ou do meio em que vivemos. É uma ferramenta testemunhal.

Uma região da nossa cidade vive uma transformação, com a ampliação das atividades no Porto de Pelotas. Há anos as operações portuárias existiam com sua capacidade mínima. Com as crises econômicas que se sucederam nas últimas décadas, a região do Porto – uma das mais ricas da cidade no passado – entrou em decadência. Por sua vez o bairro sofreu com o abandono e a violência. Seus moradores ficaram por um longo período à margem da história.

Com a transferência de vários campi da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para a região no início deste século, o local recebeu aos poucos um alento. A comunidade passou a conviver com a movimentação da atividade acadêmica, uma novidade para o perfil do pacato bairro que sempre teve o perfil de uma região genuinamente portuária.

Nos últimos meses o Porto de Pelotas recebeu investimentos através de uma parceria Público Privada (PPP) e a região voltou a se encontrar com sua verdadeira vocação. As obras de infraestrutura já delineiam os novos tempos, com investimentos e a revitalização do entorno. A previsão é de que a movimentação das operações hoje de 400 mil/ton ano passe para 1,6 milhão de toneladas/ano. Em breve o Porto de Pelotas será um dos mais ativos do Rio Grande do Sul.

Entre os projetos que chegam com estes bons ventos, está o Barco-Escola Flor do Mar, do Centro de Convívio dos Meninos do Mar – CCMar. Os passeios já acontecem periodicamente, levando alunos das escolas públicas da região para conhecerem a hidrovia da Lagoa dos Patos. Comandado pelo diretor do Museu Oceanográfico da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), Lauro Barcellos o projeto existe desde 2008 em Rio Grande.

Penso que o fotojornalismo tem uma função vital neste momento histórico que vive nossa cidade. Se os registros fotográficos das atividades portuárias no passado são escassos, devemos oferecer às próximas gerações um vasto material, imortalizando através da fotografia as transmutações vividas naquela região.

Os fotógrafos devem ser muito mais do que jornalistas factuais, mas sim historiadores do mundo imagético em que estão inseridos. Testemunhas oculares de seu próprio tempo.

Nesta exposição estão os registros que os alunos do curso de jornalismo da UCPel fizeram para a avaliação na disciplina de fotojornalismo. Para muitos deles foi o primeiro contato com o sentido real da fotonotícia.

Se fotografar é escrever com a luz.

Se o fotojornalismo tem a missão de contar histórias.

Se informar é imortalizar momentos históricos, penso que estes estudantes alcançaram o objetivo”.

Nauro Júnior

Professor de fotografia do Curso de Comunicação Social da UCPel

Publicado em 30/09/2016, em Notícias.