UFPel e Pelotas Parque Tecnológico captam recursos para transformar pesquisas em soluções para saúde
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em conjunto com o Pelotas Parque Tecnológico, teve aprovado um projeto que pretende estruturar uma plataforma permanente para apoiar o desenvolvimento de tecnologias nas áreas de saúde, biotecnologia, genômica aplicada, diagnóstico molecular, biomodelos, dispositivos médicos e saúde digital.
A iniciativa, “BioHealthHub: Plataforma de Aceleração Tecnológica em Saúde, Biotecnologia e Dispositivos Médicos”, foi contemplada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) no Edital 03/2026 – Programa de Apoio aos Ecossistemas de Inovação.
O objetivo central do projeto é aumentar a maturidade das tecnologias, aproximar pesquisadores e empresas e transformar conhecimento científico em produtos, serviços, contratos de pesquisa, desenvolvimento e inovação e novos empreendimentos de base tecnológica.
A plataforma será organizada em três eixos integrados: governança, inteligência tecnológica e avaliação de tecnologias aceleração da maturidade tecnológica e criação ou aceleração de empreendimentos inovadores. As ações incluirão diagnóstico e incremento do nível de maturidade tecnológica — o chamado TRL —, validação técnica, regulatória e mercadológica, análise de propriedade intelectual, modelagem de negócios e definição de estratégias de transferência e comercialização.
Enquadrada na Faixa B do edital, a proposta é coordenada pelo professor Vinicius Farias Campos, superintendente de Inovação e Desenvolvimento Interinstitucional da UFPel, e tem como coordenador-adjunto o professor Felipe de Souza Marques.
Nos primeiros ciclos de execução, o BioHealthHub contará com quatro empresas demonstradoras. Lifemed e Moodmed participarão como casos de avaliação, qualificação e aceleração de tecnologias em saúde e dispositivos médicos. Já a GenoTrack e a TetiZ Biomodelos, empresas incubadas na Incubadora Conectar da UFPel e residentes no Pelotas Parque Tecnológico, serão acompanhadas na estruturação e aceleração de seus modelos tecnológicos e de negócio.
A TetiZ Biomodelos atua no desenvolvimento de biomodelos aquáticos geneticamente editados, com aplicações em testes biológicos, ecotoxicologia, saúde única e validação de produtos. A GenoTrack trabalha com testes genéticos aplicados, bioinformática, rastreabilidade genética e diagnóstico molecular. A participação das empresas permitirá testar e aperfeiçoar a metodologia do BioHealthHub em situações reais de desenvolvimento tecnológico e preparação para o mercado.
Articulação
O projeto será executado de forma articulada com a Incubadora de Base Tecnológica Conectar/UFPel e o Pelotas Parque Tecnológico – Tecnosul. Também participam como instituições parceiras o Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde de Pelotas e Região, a Rede SulBiotec, a EMBRAPII InovaAgro UFPel e o Inova RS Região Sul.
A infraestrutura disponível inclui o Laboratório de Genômica Clínica, ambientes de incubação e coworking, laboratórios e espaços do Parque Tecnológico, além da integração com o Hub de Inovação em Saúde e Biotecnologia, projeto estruturante em implantação no Tecnosul. O Hub contribuirá para a continuidade das ações, a ampliação das parcerias com empresas e a geração de contratos e serviços tecnológicos após o encerramento do financiamento.
O APL da Saúde terá papel estratégico na identificação de demandas empresariais e na aproximação com os setores de equipamentos médicos, diagnóstico, serviços de saúde e soluções digitais. Entre as ações previstas está a avaliação de até dez tecnologias por meio da plataforma GenIP, considerando aspectos como potencial de mercado, propriedade intelectual, concorrência, barreiras regulatórias, parceiros estratégicos e caminhos de comercialização.
Desenvolvimento
Ao longo dos 24 meses de execução, o projeto deverá avaliar até dez tecnologias, selecionar projetos acadêmicos e empresariais com maturidade inicial a partir de TRL 3, elaborar planos de aceleração e apoiar processos de validação. A proposta também prevê estruturar e encaminhar pelo menos três processos de transferência tecnológica, que poderão envolver licenciamentos, prestação de serviços tecnológicos, acordos de PD&I, contratos de validação ou parcerias com empresas.
Para o coordenador da proposta, professor Vinicius Farias Campos, a aprovação consolida uma estratégia de longo prazo para transformar as competências científicas da Universidade em inovação aplicada.
A plataforma deverá ser progressivamente aberta a outras startups, empresas e tecnologias do ecossistema. Com isso, a UFPel busca consolidar um fluxo contínuo entre ciência, desenvolvimento tecnológico e mercado, reduzindo o chamado “vale da morte” da inovação e ampliando a geração de novos negócios, serviços tecnológicos e soluções de impacto para a saúde.
