Pesquisa da UFPel aponta áreas de risco e propõe alternativas para expansão urbana de Pelotas
Um estudo desenvolvido no curso de Geografia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) investigou a origem e a evolução das formas de relevo no perímetro urbano da cidade, identificando áreas suscetíveis a alagamentos e inundações. O trabalho contribui para o debate sobre ordenamento territorial frente às mudanças climáticas, especialmente em zonas costeiras.
A pesquisa revela que as planícies urbanas, que correspondem a cerca de 30% da área de Pelotas, registram episódios históricos de oscilações no nível do mar e tendem a enfrentar alagamentos permanentes no futuro, conforme previsões de elevação do nível do mar e aumento da frequência de eventos extremos. O estudo defende que remanescentes dessas planícies sejam reconhecidos como unidades de conservação e propõe que a expansão urbana ocorra prioritariamente em áreas mais elevadas, como terraços e baixas colinas, consideradas mais seguras.
De acordo com o coordenador do projeto, professor Moisés Ortemar Rehbein, compreender a história do relevo é fundamental para pensar soluções. “Nosso estudo defende que o relevo seja usado como guia na expansão urbana, sobretudo nas zonas costeiras. As formas de relevo e os materiais geológicos dessas áreas revelam registros de oscilações passadas do nível do mar e oferecem pistas valiosas sobre possíveis riscos no futuro”, explicou.
O trabalho integra o projeto “Mapeamento Geomorfológico do Município de Pelotas (RS)”, vinculado ao Departamento de Geografia da UFPel e coordenado pelo professor Moisés Ortemar Rehbein, com participação do estudante Isaac Tailque Papini de Brito (UFPel) e dos professores Adriano Luis Heck Simon (UFPel) e Nina Simone Vilaverde Moura (UFRGS). A pesquisa conquistou o Prêmio Zuleide Lima de Pesquisa Destaque no 15º Simpósio Nacional de Geomorfologia, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
