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Relatório da UFPel pede preservação de banhado urbano do arroio Pepino

Relatório publicado no último dia 10 de dezembro pela Comissão de Assuntos Ambientais da Universidade Federal de Pelotas, ligada à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, aponta a necessidade de preservar o banhado urbano do Arroio Pepino, localizado entre as avenidas Bento Gonçalves e Juscelino Kubitschek de Oliveira e a rua General Argolo, em Pelotas.

A elaboração do documento foi motivada pelo pedido de licenciamento ambiental da área para a construção de um empreendimento imobiliário, que já tramita junto às autoridades pelotenses, e traz dados inéditos sobre o ponto. O material servirá para embasar o Ministério Público em ação que pede que tal autorização não seja concedida, de forma que a área úmida seja mantida.

O professor do Instituto de Biologia da UFPel Rafael Dias, participante da Comissão e um dos autores do relatório, diz preocupar-se com o destino planejado para o espaço: “Não é o melhor para a natureza e a comunidade”.

Dias aponta que áreas como os banhados exercem uma importante função nos ciclos biogeoquímicos nas regiões em que existem, prestando uma série de serviços ambientais. Entre as funções exercidas, está a reciclagem de elementos como nitrogênio, fósforo e enxofre e a redução do ruído e da temperatura dos arredores. Sua inserção no contexto urbano também permite que as águas das chuvas, por exemplo, sejam absorvidas e contidas em seu lençol ao invés de serem derramadas no sistema viário, impedindo inundações.

“Além disso, ele é uma grande área verde em uma cidade que tanto carece de espaços do tipo”, lembra o docente. Ele destaca que a UFPel sempre esteve na defesa de que o local se tornasse um parque urbano para Pelotas, oferecendo espaço para lazer e fruição em região central do espaço urbano. Seria, segundo ele, uma alternativa que beneficiaria muito mais pessoas que apenas aquelas que comprariam e venderiam os apartamentos do empreendimento proposto.

O relatório elaborado pela Universidade também aponta inconsistências nos resultados apresentados pela empresa que pediu o licenciamento ambiental da área. De acordo com o documento, avalizado por especialistas das áreas da Biologia, da Engenharia Hídrica, da Geologia das Universidade Federais de Pelotas e do Rio Grande do Sul (UFRGS), os dados apontados, de que o banhado não seria um sistema original da área, sendo formado em períodos mais recentes de tempo, não podem ser comprovados a menos que seja feita uma análise do pólen existente nos sedimentos do fundo do corpo d’água. Argumentos contrários também são trazidos a partir de documentos, mapas e fotografias aéreas da zona urbana de Pelotas de décadas atrás, além da comparação com regiões com características semelhantes, da própria bacia do Pepino. “A possibilidade de que aquilo fosse um campo é baixíssima”, pontua Dias.

A determinação de qual o enquadramento da região obtenha, se de banhado ou não, é importante, devido ao fato de que banhados são considerados protegidos pela legislação vigente. O docente do IB também lembra que o local é considerado espaço de reprodução animal, que também deve receber proteção legal.

O relatório completo pode ser conhecido neste link.