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Serviço Escola de Terapia Ocupacional começa atendimentos a pacientes pós-Covid

Sintomas, formas de infecção e prevenção da covid-19 foram sendo conhecidos tanto quanto evoluía no mundo a epidemia causada pelo coronavírus. Da mesma forma ocorreu com as sequelas deixadas naqueles que se recuperavam da doença: ausência de olfato e paladar, cansaço, problemas de memória, entre outros; muitas delas perdurando por meses.

Atento a essas necessidades, o Serviço Escola de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Pelotas passou a oferecer, a partir deste mês de maio, uma nova modalidade de atendimento, especializada em pacientes que sofram com as consequências da covid. Assim surgiu o Ambulatório de Atendimento Pós-Covid-19 (Covida-TO), uma ação do projeto de extensão “Terapia Ocupacional, Acessibilidade e Inclusão” (TO AI).

O serviço está aberto a pacientes que tenham sequelas específicas, adequadas ao tratamento realizado pela TO, ou seja, utilizando as ocupações do dia-a-dia, sejam elas físicas, intelectuais ou sociais. Entre as consequências advindas da infecção pelo coronavírus que podem ser atendida estão sintomas neurológicos cognitivos ou motores; dificuldades em desempenhar ocupações e atividades cotidianas; alterações de memória, atenção e concentração; alterações de sensibilidade, como de tato, olfato ou paladar; dificuldades motoras, de coordenação e equilíbrio; e alterações de sono.

Os atendimentos são conduzidos por estudantes ligados ao projeto de extensão e alunos que cursam as disciplinas de estágio, supervisionados semanalmente por seus professores ou sempre que achem necessário. As sessões são semanais, duram entre 40 minutos e uma hora e são gratuitas e se baseiam em estratégias baseadas na literatura já existente da área, já que ainda não há orientações específicas para pacientes pós-covid. Inclusive, esta é uma das metas do projeto, de reunir um banco de dados de forma a criar protocolos de intervenção específicos para a doença.

A partir de um protocolo de avaliação, são traçados os objetivos dos atendimentos. Devido ao período pandêmico, todas as ações estão sendo realizadas de forma remota. “Nem tudo é possível ser feito, mas não deixamos ninguém desassistido”, explica a coordenadora do projeto, professora Renata Cristina da Silva. Ao mesmo tempo em que o atendimento online não permite que algumas ações sejam feitas, foi aberta a possibilidade de que pessoas de outros lugares pudessem participar do serviço: entre os pacientes já em tratamento, há residentes de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

É o caso da estudante curitibana Diuly Toaldo, de 21 anos. Ela contraiu a covid-19 em outubro do ano passado e, mesmo após a alta médica, tinha sintomas persistentes: ela perdeu capacidade olfativa e não sentia os aromas de comidas, perfumes e cosméticos; também se decepcionava quando ia se alimentar, por não conseguir saborear completamente a comida. No entanto, ainda não havia buscado ajuda; em casa, Diuly testava seu olfato tentando cheirar essências. Ao ver o anúncio do projeto nas redes sociais de uma amiga, entrou em contato e passou a fazer parte do Covida-TO.

Após a inscrição, passou a ser atendida pela formanda do curso de Terapia Ocupacional Gisiane Carvalho, que participa do projeto TO AI desde 2019. Uma das estratégias utilizadas para que Diuly possa ir recuperando gradativamente o senso olfativo é o contato com as memórias emocionais enquanto é feito o estímulo físico, ligado a ações cotidianas. A laranja, fruta de preferência, foi o objeto escolhido para algumas sessões: ela é manipulada, descascada e ingerida, em uma ação realizada tanto pela paciente quanto pela terapeuta. Já em sua terceira sessão, a estudante de Curitiba diz sentir diferença em seu olfato.

Inscrições abertas

O Ambulatório de Atendimento Pós-Covid-19 ainda possui vagas para pessoas que tenham sintomas persistentes da doença causada pelo coronavírus e tenham interesse em buscar ajuda para superá-los.

Para participar, basta entrar em contato com o Serviço Escola de Terapia Ocupacional da UFPel, pelo telefone (53) 3284-3286, pelo e-mail projetocovida.ufpel@gmail.com ou pelo perfil do projeto nas redes sociais, no usuário @covida.ufpel .