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Debate sobre o Future-se lota o Direito

Mesa do evento com os reitores, mediadora e docente da UFPel.Publico superlotou o auditório do Direito.Reitor do Paraná pediu união e mobilização. Um auditório superlotado, da Faculdade de Direito, sediou o primeiro dos três debates que a UFPel realizará para subsidiar o plebiscito que definirá se a Universidade aderirá ou não ao Programa Future-se, do MEC. Do encontro, realizado na noite da segunda-feira (9), participaram o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, e a professora da UFPel Fabiane Tejada. A mediação foi feita pela servidora técnico-administrativa Morgana Riva.

Na abertura do debate, o reitor Pedro Hallal disse que o evento era uma forma de dar acesso à discussão sobre o projeto e ressaltou que, nos três encontros previstos, sempre haverá representação das categorias, com convidados externos. Pedro Hallal frisou ainda que a ideia é dar voz também à defesa do Programa, o que estava planejado para o primeiro debate, mas o convidado declinou de participar. Conforme o reitor, nos próximos debates deverá haver a presença de debatedores em favor do Future-se.

“Não ao Future-se”. Assim definiu sua fala a professora Fabiane Tejada. Ela lembrou que 85 por cento da pesquisa brasileira é feita nas universidades públicas. Para a docente, o Future-se considera a educação como serviço e não como bem social. “É um ataque às Universidades”, afirmou. Fabiane pensa que o modelo do Future-se desconsidera o fato de que o custeio da Universidade deve ser pactuado com a sociedade. Quanto às organizações sociais propostas, disse a professora, tiram a autonomia universitária. “O Programa tem como princípio substituir a finalidade educacional da Universidade pela empresarial”, sustentou.

Para Fabiane Tejada, o Future-se desconsidera as especificidades de cada Instituição. Ela observa também que a abertura dos hospitais universitários a planos de saúde trará prejuízos ao SUS, que terá seus leitos ocupados para este segundo atendimento. “Não existe futuro sem uma educação socialmente referenciada”, sentenciou.

Argumentação

A busca da qualificação do debate, com argumentos, é o caminho a ser seguido neste momento, conforme o reitor da Federal do Paraná. Ele diz que é preciso mobilizar, como nunca, as três categorias das universidades em torno do tema. Ricardo Fonseca recordou que sua Universidade produziu um documento de 45 páginas sobre o Programa e que é preciso tentar entender a proposta do Governo dentro de um contexto de ataques às universidades públicas. Lembrou as operações policiais realizadas na Instituições nos últimos anos.

“Vivemos uma época de culto à ignorância. Nós fazemos Ciência, Tecnologia e Inovação”, ressaltou. Ele classifica os tempos atuais no país como de ataque ainda à inteligência e aos direitos. “E o Future-se está neste contexto”, observa. A falta de diálogo é outro grande problema apontado pelo dirigente da UFPR. “O Programa foi feito sem conversar com ninguém”, sublinhou. E o reitor estranha o fato de a proposta surgir exatamente em um momento de extrema dificuldade das Instituições, de corte de recursos. “Em um período dramático. Isso não é por acaso”, avisou.

Segundo Fonseca, a Universidade não pode ignorar o mercado, mas não deve servir ao mercado. Ele considera também que o Future-se institui coisas que as universidades já fazem há muito tempo. Concordando com a professora Fabiane, disse que o Programa não considera as vocações das universidades. Outro problema grave apontado pelo reitor é o fato de o Future-se não mencionar a inclusão em suas ações. “As universidades, hoje, são extremamente inclusivas, não são mais elitistas, por causa das cotas, e o Programa desconhece esta característica, não fala sobre isso”, ressalta. Da mesma forma, diz o dirigente, não se refere à extensão, outro ponto básico de atuação das universidades.

Ele lembra, ainda, como outro problema da proposta, que as empresas não financiam Ciência Básica, que em seu entendimento é a responsável pelos saltos de qualidade registrados em Ciência e Tecnologia. A desconexão com as políticas públicas em andamento também é outra coisa inaceitável no projeto do Governo, na visão do reitor.

Inconstitucional

Fonseca afirmou que o Programa Future-se é inconstitucional, pois fere os preceitos da autonomia universitária e da indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão. Ao final de sua manifestação, disse que o momento é de resistência e de união.

Mais debates

Outros dois debates estão programados. O próximo será no dia 23 de setembro, às 15h, no Anglo (ou Campus 2, em caso de chuva). Já estão confirmadas as presenças do ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, e do professor da UFPel Marcelo Passos. O terceiro debate será no dia 16 de outubro, às 10h, no auditório da FAEM, no Campus Capão do Leão, com palestrantes a confirmar.

Agende-se

23 de setembro – 15h
Espaço Aberto do Campus Anglo (ou Campus 2, em caso de chuva).
Debatedores:
Roberto Leher
Ex-Reitor – UFRJ (2015-2019). Professor Titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ na linha Políticas e Instituições Educacionais.
Marcelo Passos
Professor adjunto do Departamento de Economia e do Mestrado em Organizações e Mercados/Economia Aplicada do Instituto de Ciências Humanas da UFPel. Foi professor assistente no Departamento de Economia da UFPR (2002-2003) e tem experiência como analista econômico-financeiro de projetos de investimento no BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (Curitiba, 2006-2008).

16 de outubro – 10h
Auditório da Faculdade de Agronomia – Campus Capão do Leão.
Debatedores: a confirmar.

Publicado em 10/09/2019, em Manchete.