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Pesquisa da Computação da UFPel é contemplada no edital Serrapilheira

O projeto receberá R$ 100 mil para desenvolver a pesquisa durante um ano

O Instituto Serrapilheira anunciou os 24 cientistas contemplados no edital para desenvolver seus projetos por um ano dentro da segunda chamada pública de Pesquisa Científica. Entre os selecionados está o projeto do professor do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da UFPel, Bruno Zatt, intitulado Compressão de Light Fields: Permitindo Multimídia Imersiva por meio de Realidades Aumentada e Mista. O projeto foi concebido em colaboração com os demais pesquisadores do ViTech – Video Technology Research Group – da UFPel.

O edital Serrapilheira tem como objetivo de fomentar pesquisas que façam perguntas fundamentais criativas e audaciosas, sem exigência de aplicabilidade, nas áreas de Ciências Naturais, Ciência da Computação e Matemática. Além do apoio financeiro, os pesquisadores envolvidos terão a oportunidade de participar de treinamentos, workshops e eventos de integração.

Ao todo, foram 663 projetos inscritos, dos quais 24 foram selecionados por 44 painelistas internacionais. As revisões coletivas ocorreram nos Estados Unidos, Austrália e Israel. “Esses painéis nos deram a oportunidade de ter um olhar internacional sobre a ciência proposta por jovens brasileiros, o que enriquece o processo”, afirma a diretora de Pesquisa Científica do Serrapilheira, Cristina Caldas.

Para Bruno Zatt, o fato da seleção do projeto ter ocorrido em meio a uma grande concorrência e com a avaliação de um colegiado de pesquisadores internacionais é motivo de orgulho. “Foram 44 painelistas de diferentes lugares que teceram relatórios, debateram e selecionaram estes projetos, então o fato deste corpo de pesquisadores internacional ter julgado o problema como sendo muito importante, ou a frente de vários outros, é interessante, motiva mais para sabermos que estamos na direção certa, que a nossa pesquisa é relevante e útil para o futuro”, comemora.

O projeto

Exemplos de Light Fields

Segundo o pesquisador, Light Fields é uma tecnologia nova de imageamento, um conceito mais amplo de imagens que é especialmente útil para aplicações imersivas, em realidade aumentada ou realidade mista, termo mais atual para este tipo de sistema.

Os Light Fields possuem mais informações que imagens e vídeos tradicionais. Bruno explica que uma imagem tradicional representa um recorde muito simples da luz de um ambiente, sendo que os Light Fields permitem um maior detalhamento, possibilitando observar não apenas a quantidade de luz mas também a direção da luz incidente. “Com esta informação adicional, podemos alterar foco, iluminação, escala, perspectiva e ponto de observação com muito mais precisão, o que é especialmente útil na recomposição de ambientes como, por exemplo, no contexto de aplicações como realidade mista”, explica.

Já existem alguns dispositivos de captura e exibição que tentam incorporar esta tecnologia como as câmeras Raytrix e o Magic Leap One que, segundo o pesquisador, seria o mais avançado dispositivo para realidade mista disponível. “Ter a capacidade de capturar, codificar e manipular imagens e vídeos em Light Fields é importante para que este tipo de sistema seja viável e realmente imersivo para o usuário”, pondera.

A pesquisa desenvolvida na UFPel propõe estudar especificamente a codificação dos Light Fields em movimento, ou seja, capturadas em vídeo. “Os estudos sobre Light Fields em movimento, filmagem digamos assim, estão em estágio inicial, o volume de informação é muito grande. Uma única fotografia, por exemplo, usando codificação simples costuma ter algo como 50 MB, são enormes, difíceis de manipular, armazenar e transmitir”, explica.

A compressão de imagens e vídeos tradicionais é pesquisada há pelo menos três décadas, são conhecidos os padrões como JPEG, MPEG, H.264 e atualmente o HEVC. Como a tecnologia de Light Fields proporciona ao usuário informações diferentes, torna-se necessário pesquisar novas técnicas para a codificação. Na área de compressão de Light Fields estáticos, já existem estudos avançados, que é o caso do JPEG Pleno que está em andamento. No entanto, diferentemente do JPEG Pleno, a proposta do projeto foca no desenvolvimento de novas técnicas para codificação de Light Fields em movimento.

Publicado em 20/05/2019, em Notícias.