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Fábrica Braço de Prata: da ilegalidade à consagração

IMG_1358Em uma palestra que arrebatou o público presente pelo ineditismo do projeto apresentado e pelo humor do palestrante, o professor e filósofo português Nuno Nabais dos Santos fechou o ciclo de discussões sobre Pesquisa, Cultura e Ciência, proporcionado pela primeira edição do Congresso de Extensão e Cultura (CEC), promovido pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPel.

Doutor em Filosofia e docente da Universidade de Lisboa, Nabais descreveu a experiência de gestão cultural em espaços reciclados e as inúmeras atividades artísticas, culturais e gastronômicas, abrigadas pela Fábrica do Braço de Prata, uma antiga edificação existente em Lisboa e que até 1955 destinava-se ao fabrico de armamentos. A fábrica forneceu armas a Portugal durante a primeira guerra mundial e, em seu período áureo, chegou a empregar 12 mil operários.

IMG_1355Com o fim de suas atividades, o prédio, em total estado de degradação, estava fadado à demolição ou, pelo menos, à descaracterização de seus traços arquitetônicos. A primeira ideia foi que ele abrigasse um condomínio de luxo, mas o projeto não prosperou. Atento à oportunidade, Nuno Nabais, em circunstâncias hilárias e descritas em detalhes em sua palestra, liderou a iniciativa de constituir no local um amplo espaço para as mais diversas manifestações artísticas e culturais, e que contaria também com um serviço de bar e restaurante. Diante da impossibilidade de obtenção das licenças necessárias, o empreendimento surgiu na mais absoluta ilegalidade. No entanto, o elevado grau de bom gosto e sofisticação e a diversidade artística proporcionada pelos múltiplos ambientes consagraram o projeto, que hoje é ponto turístico do país e, até mesmo, uma atração mundial, dado ao seu êxito e ineditismo.

A inusitada iniciativa já rendeu generosas reportagens de jornais de todo o mundo e as tentativas de proibir seu funcionamento resultaram infrutíferas, diante da tenacidade e perspicácia de seus proprietários e, principalmente, diante das articulações políticas envolvidas – incluem-se aí a contribuição de magistrados.
O local dispõe de 12 salas mutantes, que tanto podem ser salas de concerto como galerias de arte, estúdio de cinema, atelier de artes plásticas, salas de jantar, bar ou simplesmente livrarias. Mas também é um imenso muro exterior que abriga várias camadas de grafite, servindo como películas de memória. “A fábrica teve em Lisboa um papel inaugural no movimento de reciclagem de edifícios esquecidos”, observa Nabais.

Segundo ele, Lisboa adotou a Fábrica, que, com uma performance clandestina se transformou em patrimônio da cidade. Em salas distintas, são realizados cinco concertos por noite. O local abriga também peças de teatro infantil, uma escola artística para crianças, além da melhor livraria de Filosofia da Península Ibérica. Durante os sete anos de seu funcionamento, já passaram pela Casa cerca de três mil bandas e aproximadamente 500 artistas plásticos.

Veja mais informações sobre a Fábrica Braço de Prata em http://www.bracodeprata.com/FBP.shtml .

 

 

 

 

Publicado em 12/09/2014, na categoria Notícias.