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Dissertações começam a ser defendidas na próxima semana na PG em Epidemiologia

Alunos do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel começam a defender as dissertações de mestrado que tiveram foco na saúde da população adulta e idosa de Pelotas através de pesquisa de campo, realizada no ano de 2007. Quatorze acadêmicos estiveram envolvidos no projeto coordenados pela professora Maria Cecília Assumpção e orientados pelos demais professores do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia.
Foram selecionadas por sorteio 1,4 mil residências para que fossem feitas as entrevistas com os moradores acima dos 20 anos, de diversas classes sociais e sem limite superior de idade. A partir do resultado dessa pesquisa os alunos pretendem auxiliar os gestores municipais da área de saúde, pois entre os tópicos questionados estavam: doação de sangue, uso de serviços médicos e odontológicos, hipertensão arterial, violência urbana, entre outros. Com base neste estudo sairão ainda no mínimo 14 artigos científicos a serem publicados em revistas especializadas de todo Brasil.
As defesas serão feitas no Auditório Kurt Kloetzel, no Centro de Pesquisas em Saúde Almicar Gigante, a partir do próximo dia 15 de setembro. As primeiras defesas serão as das médicas Vera Silva e Gisele Nader e do professor de Educação Física Giovâni Duca. O calendário das defesas pode ser conferido em www.epidemio-ufpel.org.br no link eventos. Consulte também a íntegra das dissertações:

Dissertação Vera Lopes da Silva

Quantas pessoas têm sintomas articulares crônicos em Pelotas?
As enfermidades reumatológicas, popularmente chamadas de reumatismo, são muito freqüentes, podem comprometer todas as faixas etárias e compreendem um conjunto de mais de 100 doenças diferentes, tais como osteoartrose, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, gota e espondilite anquilosante.
Em uma pesquisa realizada durante os meses de outubro de 2007 a janeiro de 2008, na zona urbana de Pelotas, a médica reumatologista Vera Regina Lopes da Silva investigou a presença de sintomas articulares crônicos em indivíduos com 20 anos ou mais de idade. Este projeto fez parte do seu mestrado em Epidemiologia, desenvolvido na Universidade Federal de Pelotas, sob a orientação da Profª. Dra. Ana M. Baptista Menezes.
Distribuídas em vários bairros da cidade, 2953 pessoas responderam a um questionário que, entre outras coisas, questionou se havia dor, inchaço ou endurecimento das articulações de longa duração (mais de seis semanas) e relato de diagnóstico médico de artrite ou reumatismo.
Os resultados desse estudo mostraram que 42% das mulheres e 29% dos homens de Pelotas têm sintomas articulares crônicos. Estes sintomas estão presentes em 19% dos adultos com 20 a 29 anos e vão se tornando mais freqüentes à medida que a idade avança. Os obesos e os fumantes atuais ou no passado apresentam 69% e 22%, respectivamente, mais sintomas articulares crônicos que os indivíduos sem excesso de peso e os que nunca fumaram. Embora estes sintomas sejam tão freqüentes, somente 6% dos homens referiram que um médico havia lhes dado o diagnóstico de artrite e, entre as mulheres, este relato foi de 18%.
Outro achado importante foi quanto à presença de limitações devido à presença de sintomas articulares crônicos. Em média, 15% dos entrevistados relataram muita restrição para atividades do dia-a-dia, como vestir-se e alimentar-se e, 21% sentem-se muito limitados para trabalhar ou estudar.
Dado ao exposto, os pesquisadores concluíram que os sintomas articulares crônicos, um indicador de artrite, além de serem muito freqüentes estão diretamente relacionados à presença de limitações. Por outro lado, alguns fatores de risco para a presença de sintomas articulares crônicos, como obesidade e tabagismo, são potencialmente modificáveis. Além disso, dado que uma importante parcela da população, especialmente os jovens e os homens, não estão sendo adequadamente diagnosticados, programas que visem estes indivíduos devem ser planejados.

Dissertação Giovâni Firpo Del Duca
Como está a independência dos idosos de Pelotas?

O envelhecimento humano pode ser compreendido como um processo universal, dinâmico e irreversível, mas um dos principais acontecimentos decorrentes do avanço da idade é a incapacidade funcional, caracterizada por qualquer restrição para realizar atividades cotidianas, sejam elas básicas relacionadas ao cuidado pessoal ou instrumentais, ligadas à mobilidade e participação social do indivíduo.
Recentemente um estudo, coordenado pelo professor de Educação Física Giovâni Firpo Del Duca do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, avaliou a ocorrência de incapacidade funcional para as atividades da vida diária em idosos da zona urbana da cidade. Foram entrevistados 598 indivíduos com idade igual ou maior a 60 anos. Mais de 27% dos idosos apresentou dependência para a realização de alguma das atividades básicas como tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro, alimentar-se, deitar e levantar da cama e controlar as funções de urinar e evacuar. Mais 28% deles apresentou dependência para a realização, de pelo menos uma das atividades instrumentais, como usar o telefone, ir a locais distantes usando algum transporte, fazer compras, arrumar a casa, lavar roupas, preparar a própria refeição, tomar medicamentos e cuidar do dinheiro.
Verificou-se que com o passar dos anos e piores percepções de saúde aumentam os riscos da ocorrência dessas incapacidades, em contrapartida, idosos ativos e que freqüentam mensalmente cultos religiosos são mais independentes para as atividades que se relacionam com a participação social.
Entre as medidas interessantes para a redução dos níveis de dependência funcional nos idosos destacam-se: a promoção de grupos de atividades físicas para terceira idade e a presença de espaços públicos com infra-estrutura adequada e segura de lazer. Isso irá representar uma melhora na qualidade de vida desses indivíduos, e ainda aumentar a expectativa de vida com muita saúde e autonomia.

Dissertação Gisele Nader
Consultas médicas preventivas aumentaram nos últimos 15 anos em Pelotas

A utilização de serviços de saúde pode impactar positivamente a saúde da população, prevenindo a ocorrência e, até mesmo, erradicando algumas doenças, reduzindo a mortalidade e aumentando a sobrevivência.
Ao longo das últimas duas décadas Pelotas passou por inúmeras mudanças na forma da rede de atenção à saúde. O impacto dessas mudanças sobre a utilização dos serviços de saúde por parte da população adulta da cidade foi investigado em estudo recente, conduzido pela médica Gisele Nader, mestranda do Programa de Pós Graduação em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, orientada pela professora doutora Iná dos Santos.
A investigação realizada em 2007 comparou o número de consultas médicas ambulatoriais, como observado em estudo semelhante no ano de 1992, quando foram entrevistadas em seus domicílios 1657 pessoas com idade entre 20 e 69 anos. Já em 2007, foram entrevistados 2706 indivíduos da mesma faixa de idade. Os dois estudos consideraram os locais onde os moradores consultaram e os motivos das consultas.
Nesse período o percentual de adultos que consultou em relação ao ano anterior à entrevista passou de 70% em 1992 para 76% em 2007. Aumento maior foi verificado entre o percentual dos que relataram ter consultado nos três meses que antecederam a entrevista: 40% em 1992 e 61% em 2007, nos dois anos do estudo as mulheres consultaram mais do que os homens.
Também foi constato pelos pesquisadores que no local onde ocorreu a última consulta houve um aumento da utilização dos serviços públicos, principalmente dos credenciados e conveniados, porém no setor privado observou-se uma diminuição de 50%. As consultas de prevenção aumentaram, sobretudo entre os homens.
Os resultados estão disponíveis aos gestores de saúde e podem auxiliar no planejamento de ações que visem o estabelecimento de um sistema de saúde sólido e capaz de atender a demanda da população de maneira justa e orientada.

 

 

Publicado em 09/09/2008