Núcleo de Documentação Histórica produz livro sobre os 35 anos do Programa de Epidemiologia da UFPel
Em novembro deste ano será lançado um novo livro produzido pelo Núcleo de Documentação Histórica da Universidade Federal de Pelotas (NDH/UFPel). Trata-se da obra intitulada “Do Local ao Global: a história dos 35 anos do Programa de Epidemiologia da UFPel”, escrita pela coordenadora do NDH, a historiadora Lorena Almeida Gill.
A ideia do livro nasceu em 2024, a partir da iniciativa de um grupo de docentes que pensou sobre a importância de preservar a memória e registrar a trajetória do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia (PPGEpi) da UFPel e procurou o NDH. Já se tinha um exemplo de trabalho realizado por este centro de documentação, que era o livro “Uma casa chamada Leiga: os 60 anos da Medicina – UFPel”, feito sobre a Faculdade de Medicina (Famed), chamada de “Leiga”, uma graduação que nasceu privada e foi federalizada no ano 1978.
A obra, que será lançada no final do ano, foi realizada através da metodologia da análise documental, da pesquisa em jornais e da história oral temática e conta com 53 entrevistas diferentes, além de várias imagens tanto do trabalho do Programa, quanto da cidade.
Segundo a autora, o livro é sobre um Programa de Pós-Graduação, mas fala, especialmente, sobre as pessoas que o construíram e dos seus sonhos. “Desde a sua formação, a aproximação com a instituição, os projetos nos quais se envolveram, as parcerias que foram efetivando com o passar dos anos”, ressalta.
A obra é composta por quatro capítulos: no primeiro é abordada a história da constituição da Leiga, no ano de 1963, a partir da análise de debates que ocorreram na cidade sobre o tema, ainda na década de 1950 e a organização do curso de graduação em Medicina, através de Departamentos, dentre eles o de Medicina Social, fundado no ano de 1976 e oficializado em 1977. No segundo capítulo, o tema foi a formação do Centro de Pesquisas Epidemiológicas, no ano de 1982, com a organização de um espaço inicial para o seu funcionamento e a construção da primeira Coorte, além da efetivação do Mestrado em Epidemiologia, no ano de 1991 e do Doutorado, em 1998. No terceiro, a discussão se volta para estudos realizados pelo grupo, que impactaram a construção de novas políticas de saúde, no Brasil e no mundo, na perspectiva trazida no título do livro de que ao abordar o local foi possível pensar em diretrizes públicas globais. No último capítulo, foi feito um convite a pesquisadores e pesquisadoras para pensarem em suas trajetórias profissionais, relacionadas ao Departamento de Medicina Social e/ou ao Programa de Epidemiologia, no sentido de avaliar os caminhos escolhidos e projetar novas possibilidades para o futuro.
Dentre as pesquisas de grande impacto, que modificaram políticas de saúde, trazidas pela autora, aparecem os seguintes estudos: as Coortes de 1982, 1993, 2004, 2015, 2026; as pesquisas desenvolvidas no Centro de Pesquisa em Desenvolvimento Humano e Violência e pelo Centro Internacional de Equidade da Saúde; a avaliação da Atenção Primária à Saúde e o grupo de pesquisa AQUARES; o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade do bebê; os 1.000 Dias e os padrões globais de crescimento infantil; a Epicovid; a saúde do trabalhador e da trabalhadora; a atividade física e a saúde e o acompanhamento de idosos.
Já as cartas foram escritas pelos seguintes pesquisadores: Cesar Victora; Aluísio Barros; Pedro Curi Hallal; Iná da Silva dos Santos; Denise Gigante; Helen Gonçalves; Luciana Tovo Rodrigues; Elaine Tomasi e há, ainda, um texto escrito por Fernando Barros, no ano de 1992, que foi reproduzido no livro, por tratar-se de uma espécie de documento histórico.
O livro de História, que está em fase de produção, será disponibilizado de forma física aos interessados e, também, em e-book, pelo site do NDH. Ainda, todos os materiais utilizados para compor a obra, inclusive as entrevistas, serão disponibilizadas para estudiosos do assunto, mediante contato com o NDH.
