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Calourada: mesa redonda aborda a questão de gênero

DSC_8990“Precisamos falar sobre gênero” foi o tema da mesa redonda que aconteceu na tarde da ultima terça-feira (22) no Museu do Doce da UFPel. O evento fez parte da programação da Calourada da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), evento que tem o propósito de recepcionar os novos alunos da instituição. A mesa foi promovida pelo Observatório de Gênero e Diversidade da UFPel.

No primeiro momento da tarde, a socióloga, mestre e doutora em Educação, Márcia Alves da Silva falou um pouco sobre o que é o Observatório, do qual é coordenadora. O órgão surgiu em 2014 com o objetivo de aproximar pesquisadores, professores e estudantes de varias áreas que trabalham com os temas gênero e diversidade. O Observatório possui um forte caráter extensionista e mantém parceria com diversos grupos organizados de Pelotas, e não apenas dentro na UFPel. Márcia comentou que a entidade acaba atuando bastante fora da Universidade, inclusive em outros municípios, através de parcerias, e que é necessário investir mais em atuações dentro da UFPel, pois a questão de gênero é pouco explorada na formação.

A mesa redonda ocorreu de forma descontraída, com espaços para debates e colocações dos ouvintes entre apresentações de trabalhos de diversas áreas, desde Educação à Geografia, com a temática de gênero.

Durante a tarde de conversas sobre gênero surgiram diversos assuntos na temática, como a legalização do aborto, a desconstrução do machismo e sexismo e necessidade da educação para a igualdade de gênero. A violência contra a mulher também foi debatida, não apenas a física e a sexual, mas também a psicológica e simbólica, que as pessoas presentes consideraram naturalizada de uma forma assustadora na sociedade.

Outro assunto comentado durante a tarde de conversa foi a mulher no mercado de trabalho: a geógrafa Adriana Cardoso falou um pouco sobre sua pesquisa com a temática ‘A condição do trabalho feminino no polo naval de Rio Grande/RS’. Sua pesquisa mostra que praticamente não há mulheres negras e pobres ou transexuais no polo naval, e que os cargos ocupados por mulheres são em sua maioria de auxiliares administrativos, setor que possui salário menor que os setores predominantemente masculinos. Adriana também fala em sua obra da preferência por mulheres jovens e sem filhos, dupla jornada de trabalho, considerando o trabalho profissional e doméstico, e do assédio em um ramo predominante masculino como o polo naval.

A professora Marcia Alves ressaltou, durante o debate, a importância que as questões de gênero não sejam debatidas apenas em grupos de militância e nas universidades, mas que se levem essas questões para a comunidade em geral, para que assim seja possível mudar a cultural patriarcal existente.

Publicado em 28/03/2016, em Destaque, Notícias.