{"id":45480,"date":"2015-04-14T15:44:06","date_gmt":"2015-04-14T18:44:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/?p=45480"},"modified":"2015-04-14T15:49:49","modified_gmt":"2015-04-14T18:49:49","slug":"artigo-dia-nacional-da-conservacao-do-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/2015\/04\/14\/artigo-dia-nacional-da-conservacao-do-solo\/","title":{"rendered":"Artigo: &#8220;Dia Nacional da Conserva\u00e7\u00e3o do Solo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O dia 15 de abril \u00e9 conhecido como Dia Nacional da Conserva\u00e7\u00e3o do Solo. Mas qual a raz\u00e3o de n\u00f3s brasileiros reservarmos um dia do ano para lembrar do solo? Porque o solo \u00e9 essencial para a produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos, bem como fibras, subst\u00e2ncias bioativas e energia; filtrar e armazenar a \u00e1gua, regula\u00e7\u00e3o de fluxos e nutrientes, principal meio para descarte de res\u00edduos e para o ciclo de carbono, sendo relevante a sua conserva\u00e7\u00e3o para mitigar e enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o e o conhecimento da import\u00e2ncia do solo, o qual representa um recurso natural essencial para a sobreviv\u00eancia dos seres vivos na Terra, podem ser fundamentais para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas que resultem em a\u00e7\u00f5es efetivas que considerem a capacidade de uso da terra, visando sua conserva\u00e7\u00e3o e\/ou recupera\u00e7\u00e3o do solo<\/p>\n<p>Nos estados da Regi\u00e3o Sul, o abandono de pr\u00e1ticas conservacionistas complementares, como cultivo em n\u00edvel e o terraceamento, mesmo em \u00e1reas sob semeadura direta (plantio direto), t\u00eam sido apontados pelos setores de pesquisa e extens\u00e3o rural como as principais causas da degrada\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas, principalmente por eros\u00e3o, tanto h\u00eddrica como e\u00f3lica.<\/p>\n<p>Alguns professores do Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, durante suas atividades na regi\u00e3o colonial da Metade Sul do Estado, t\u00eam observado que s\u00e3o frequentes as \u00e1reas agr\u00edcolas com problemas de degrada\u00e7\u00e3o, muitas vezes com redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da camada superficial mais rica, denominada horizonte A. Este fato \u00e9 percebido quando a lavra\u00e7\u00e3o traz para cima o topo do subsolo, chamado de horizonte B. Mas porque isto \u00e9 importante? Porque alguns solos da regi\u00e3o apresentavam 40 cm desta camada no in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o. Considerando que 1 cm de solo leva centenas de anos para se formar, e podem ter sido perdidos ao redor de 20 cm ao longo de 50 a 80 anos de uso, imagine a extens\u00e3o do dano e a impossibilidade de recuperar o que j\u00e1 foi perdido. Pode-se ent\u00e3o afirmar que estes solos agr\u00edcolas tiveram seu potencial produtivo comprometido pela eros\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica dos seus estoques de mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo, e que isto foi consequ\u00eancia do modo como a terra foi usada. N\u00e3o que tenha sido causado por m\u00e1 f\u00e9. Mas, a despeito do conhecimento sobre o tema, os esfor\u00e7os do Rio Grande do Sul em fomentar a conserva\u00e7\u00e3o de solos estiveram concentrados nas lavouras de grandes culturas, especialmente as da Metade Norte do Estado. Entretanto, existe urg\u00eancia em reverter este quadro de avan\u00e7o da degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentre as atividades dos professores do Departamento de Solos est\u00e1 um projeto, coordenado pela professora Maria C\u00e2ndida Moitinho Nunes, que visa identificar a degrada\u00e7\u00e3o do solo por eros\u00e3o h\u00eddrica e poss\u00edveis conflitos no uso da terra na Bacia Hidrogr\u00e1fica do Arroio Moreira\/Fragata. Esta bacia abrange parte dos munic\u00edpios de Pelotas, Cap\u00e3o do Le\u00e3o e Morro Redondo e apresenta \u00e1reas com graves problemas relacionados \u00e0 eros\u00e3o h\u00eddrica dos solos, assoreamento de cursos d\u2019\u00e1gua e, consequentemente, inunda\u00e7\u00f5es na parte urbana da cidade, localizada na por\u00e7\u00e3o de menor altitude. Outro fato importante \u00e9 que, diante da atual crise h\u00eddrica, a disponibilidade e a qualidade da \u00e1gua ir\u00e3o depender das condi\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o do solo. Dessa forma, o controle da eros\u00e3o h\u00eddrica pode ser de grande interesse para a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e para a qualidade da \u00e1gua na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses problemas de degrada\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o restritos \u00e0 Col\u00f4nia, nem ao estado do Rio Grande do Sul, muito menos ao Brasil. Este \u00e9 um dilema mundial. Tanto \u00e9 verdade que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) \u00e9 designou o ano de 2015 como sendo o Ano Internacional do Solo (AIS). Dentre os objetivos desta proposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 a gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es efetivas para a gest\u00e3o sustent\u00e1vel e a prote\u00e7\u00e3o do recurso solo e sensibilizar \u201cquem decide\u201d sobre a necessidade de investimento robusto em atividades de gest\u00e3o sustent\u00e1vel, para garantir solos saud\u00e1veis para diferentes usu\u00e1rios da terra e grupos de popula\u00e7\u00e3o no presente e futuramente.<\/p>\n<p>No ano de 2015, est\u00e1 prevista a organiza\u00e7\u00e3o de Grupos de Trabalhos em diversas regi\u00f5es do Estado para discutir os problemas e levantar propostas de reformula\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei n\u00ba 294\/2005, que institui o C\u00f3digo Estadual de Uso, Manejo e Conserva\u00e7\u00e3o do Solo Agr\u00edcola do Rio Grande do Sul. Esta proposta foi enviada \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados em 2008, mas n\u00e3o chegou a entrar em regime de vota\u00e7\u00e3o. Conforme o Art. 4\u00ba do Projeto de Lei n\u00ba 294\/2005 do RS, \u201ctodo usu\u00e1rio de solo agr\u00edcola \u00e9 obrigado a conserv\u00e1-lo e\/ou recuper\u00e1-lo, mediante a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, t\u00e9cnicas, processos e m\u00e9todos conservacionistas apropriados\u201d.<\/p>\n<p>A reformula\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Estadual de Uso, Manejo e Conserva\u00e7\u00e3o do Solo Agr\u00edcola do Rio Grande do Sul faz parte das atividades do Departamento de Solos e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Manejo e Conserva\u00e7\u00e3o do Solo (MACSA), da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM). O Projeto de Lei n\u00ba 294\/2005 tem sido alvo de discuss\u00f5es semanais, para a sua reformula\u00e7\u00e3o e retomada de implanta\u00e7\u00e3o, visando \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o e\/ou preserva\u00e7\u00e3o do solo agr\u00edcola. Entretanto, \u00e9 importante salientar que n\u00e3o basta termos um c\u00f3digo de leis, \u00e9 preciso fomentar pol\u00edticas p\u00fablicas que ofere\u00e7am suporte t\u00e9cnico e financeiro para o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es que considerem a aptid\u00e3o e a capacidade de uso da terra, visando \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o e\/ou manuten\u00e7\u00e3o do sistema semeadura direta (plantio direto), associado a pr\u00e1ticas conservacionistas complementares, como o cultivo em n\u00edvel e o terraceamento, bem como a implanta\u00e7\u00e3o de pagamentos por servi\u00e7os ambientais (PSA).<\/p>\n<p>Dessa forma, \u00e9 imprescind\u00edvel divulgar, conscientizar e mobilizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de conservar, recuperar e\/ou preservar o solo, mediante a ado\u00e7\u00e3o de sistemas e pr\u00e1ticas conservacionistas adequadas, garantindo produtividade e qualidade ambiental para a gera\u00e7\u00e3o atual e para futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>Maria C\u00e2ndida M. Nunes<\/em><\/p>\n<p><em>Flavia Fontana Fernandes<\/em><\/p>\n<p><em>Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 15 de abril \u00e9 conhecido como Dia Nacional da Conserva\u00e7\u00e3o do Solo. Mas qual a raz\u00e3o de n\u00f3s brasileiros reservarmos um dia do ano para lembrar do solo? Porque o solo \u00e9 essencial para a produ\u00e7\u00e3o mundial de alimentos, bem como fibras, subst\u00e2ncias bioativas e energia; filtrar e armazenar a \u00e1gua, regula\u00e7\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-45480","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45480"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45480\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45482,"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45480\/revisions\/45482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccs2.ufpel.edu.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}