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Uma análise dos 8 meses da COVID-19 em Pelotas

Os pesquisadores do GDISPEN apresentam uma análise dos 8 meses da pandemia em Pelotas/RS, usando como base os dados divulgados diariamente pela Prefeitura Municipal nas suas redes sociais e no site oficial.

O primeiro caso confirmado de COVID-19 em Pelotas se deu no dia 25 de março e o primeiro óbito no dia 20 de junho. Os últimos 30 dias foram de um crescimento da epidemia na cidade muito acima do apresentado nos meses anteriores, tendo 8.801 casos confirmados e 182 óbitos em 28 de novembro (final da semana epidemiológica 48).

Na semana epidemiológica (SE) 48 foram notificados 1.185 novos casos de COVID-19, o maior número semanal registrado nestes 8 meses, com uma média de 169 casos por dia (média de casos confirmados diários nas SE 44 a 48, foram respectivamente: 60; 68; 101; 116; 169). A média geral nas últimas 5 semanas é de 102,6 casos confirmados por dia. O aumento do número de casos ao longo das últimas SE pode ser devido a uma maior flexibilização das medidas de distanciamento social na cidade, esgotamento da população frente ao isolamento, dois feriados prolongados no período em questão e a campanha eleitoral, entre outros fatores.  A incidência por 100.000 habitantes é de 2.570 casos. Observa-se um aumento de 2,8 vezes no número de infectados informado, em relação ao maior valor registrado por semana no mês de agosto (SE 35), ou seja, 178% de aumento. Analisando a evolução dos 7 para os 8 meses de COVID-19 em Pelotas, teve-se um aumento de 46% no número de casos (SE 48 em relação a SE 43).

A média de óbitos nas últimas 5 semanas foi de 0,9 óbito por dia (média diária nas SE 44 a 48, foram respectivamente: 0,71; 0,43; 0,14; 1,71; 1,43 óbitos por dia).  A mortalidade por 100 mil habitantes é de 53 óbitos e a taxa de letalidade é de 2,1%.  O aumento no número de casos não se refletiu no aumento do número de mortes no período analisado.

Além disso, ao completar 8 meses de pandemia, Pelotas possuía 6.354 pessoas recuperadas (72%) e 2.265 casos ativos (26%). Observa-se um aumento expressivo no número de casos ativos ao longo das últimas 5 semanas: 299% de aumento.

Ao longo das últimas semanas inúmeros leitos exclusivos COVID foram desmobilizados em Pelotas, principalmente devido a necessidade de atendimento de outras demandas reprimidas e da ausência de equipes médicas. Com o avanço do contágio, tem-se observado a lotação dos leitos de UTI exclusivos COVID na cidade, que agora são 20 leitos (10 leitos no Hospital Escola, 10 leitos na Beneficência Portuguesa, não contabilizados 10 leitos adultos de suporte ventilatório do Centro COVID). Na sexta-feira, 27 de novembro, a Prefeitura de Pelotas publicou um decreto que determina o fim do zoneamento do sistema de saúde, ou seja, todas as instituições hospitalares estão aptas a receber e tratar pacientes suspeitos ou positivados de COVID-19, quando houver a necessidade.

Na figura a seguir tem-se a evolução da epidemia na cidade, em formato de infográfico.

No infográfico:

  • Curvas de casos acumulados, recuperados ativos e óbitos;
  • casos por semana epidemiológica: na SE 48 valor recorde de 1.185 casos;
  • ocupação dos leitos de UTI e enfermaria exclusivos COVID;
  • Rt por incidência: valor atual de Rt=1,24, média móvel de 1,21 (tendo aumentado desde a última análise, quando o valor era de 1,14);
  • a região da cidade (até 26/11) com a maior porcentagem de casos é o Fragata com 23,1%, seguido das Três Vendas com 21,6% e do Areal com 18,3% dos casos registrados.

Abaixo segue o gráfico da projeção de casos até o dia 15/12 para a cidade de Pelotas. No modelo epidemiológico SIR, foi considerada uma taxa média de reprodução R0 de 1.21 (valor da média móvel em 28/11) e um período de infecção de 5.2 dias. Se a taxa de crescimento seguir como está, estima-se que até o dia 15/12, Pelotas tenha aproximadamente 13.000 casos confirmados de COVID-19.

A epidemia não acabou. Evite sair de casa sem necessidade e ao sair, use máscara de proteção e passe álcool gel nas mãos. Se proteja. Proteja a sua família!

Para mais gráficos e dados acompanhem a atualização diária para a cidade de Pelotas no site do laboratório GDISPEN (https://wp.ufpel.edu.br/fentransporte/covid-19-graficos-com-relacao-ao-rs/covid-19-pelotas/).

Este estudo tem finalidade puramente acadêmica e científica, mostrando a grande aplicabilidade da modelagem matemática em problemas reais. As discussões, opiniões, ideias e publicações geradas a partir dos resultados do modelo utilizado são de autoria dos respectivos autores, e não necessariamente representam aquelas das instituições a que estes pertencem.

Responsáveis: Daniela Buske, Glênio Aguiar Gonçalves, Régis Sperotto de Quadros

Gráficos iterativos: Gustavo Braz Kurz

Publicado em 01/12/2020, em Notícias.