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GDISPEN realiza análise dos 7 meses de COVID-19 em Pelotas

Os pesquisadores do GDISPEN apresentam uma análise dos sete meses da pandemia em Pelotas/RS, usando como base os dados divulgados diariamente pela Prefeitura Municipal nas suas redes sociais e no site oficial.

O primeiro caso confirmado de COVID-19 em Pelotas se deu no dia 25 de março de 2020 e o primeiro óbito no dia 20 de junho de 2020. Após 238 dias, percebe-se que a epidemia segue crescendo na cidade, tendo 5.210 casos confirmados e 151 óbitos em 24/10. A data limite da análise aqui será o dia 24/10, uma vez que esta data é o último dia da semana epidemiológica (SE) 43.

Na SE 43 foram notificados 343 novos casos de COVID-19, o maior número semanal registrado no último mês, com uma média de 49 casos por dia (a média de casos confirmados por dia nas SE 40 a 43 foram, respectivamente: 45, 36, 32 e 49). A média geral nas últimas quatro semanas é de 40 casos confirmados por dia. O aumento do número de casos na SE 43 pode ser devido a uma maior flexibilização na cidade durante a bandeira amarela, entre outros fatores.  A incidência por 100 mil habitantes é de 1.522 casos.

A média de óbitos nas últimas quatro semanas foi de 1,04 óbito por dia (sendo que a média de óbitos  por dia nas SE 40 a 43 foram, respectivamente: 0,86; 0,86; 1,29; 1,14).  A mortalidade por 100 mil habitantes é de 44,1 óbitos e a taxa de letalidade é de 2,9%.  Uma redução contínua no número de óbitos pode indicar um declínio da curva epidêmica. Precisa-se acompanhar as próximas semanas para podermos afirmar com certeza que estamos em declínio nesta curva.

Além disso, ao completar sete meses de pandemia, Pelotas possuía 4.492 pessoas recuperadas (86%) e 567 casos ativos (11%). Observa-se um decréscimo significativo no número de casos ativos ao longo dos primeiros 20 dias do mês de outubro, e um novo aumento de casos após o dia 20 de outubro.

Analisando a ocupação dos leitos nos hospitais da cidade, observa-se nos gráficos que o pico de internações em UTI e enfermaria ocorreu na SE 34, nos dias 18 e 19/08. Após este período tem-se um decréscimo na ocupação de leitos (UTI: nas SE 40 a 43, respectivamente: 19,4; 16,6; 18; 15,9 internados em média, Enfermaria: nas SE 40 a 43, respectivamente: 26,3; 23; 17,86; 42 internados em média).  Cabe destacar que além dos casos de óbito e alta para leitos de enfermaria, o município tem adotado um protocolo de transferir pacientes de COVID-19 considerados como não infecciosos, de leitos de UTI específicos da doença para leitos de UTI geral.

Nas figuras a seguir tem-se a evolução da epidemia na cidade, em formato de infográficos.

No infográfico 1 tem-se:

  • Casos confirmados, recuperados, ativos, óbitos e internados em UTI COVID nos últimos três meses, no dia 24 de cada mês;
  • Curvas de casos acumulados, recuperados, ativos e óbitos;
  • Casos diários e média móvel de 7 dias (média de 49 casos diários no dia 24/10);
  • Óbitos diários e média móvel de 7 dias (média de 1,14 óbitos no dia 24/10);
  • Óbitos por semana epidemiológica: na SE 43 com 8 óbitos;
  • Casos por semana epidemiológica: na SE 43 com 343 casos;
  • Ocupação dos leitos de UTI exclusivos COVID (média de 17,5 leitos ocupados por dia nas últimas 4 semanas).

 

No infográfico 2 apresenta-se:

  • Óbitos confirmados por faixa etária e sexo;
  • Óbitos confirmados por sexo: 49% do sexo masculino (74 óbitos) e 45% do sexo feminino (68 óbitos) e 9 óbitos sem informação sobre o sexo;
  • Perfil dos infectados (até 22 de outubro): os profissionais da saúde é o grupo mais afetado pela COVID-19 em Pelotas com 896 casos (17,62%), seguido do grupo dos aposentados que somam 659 pessoas (12,96%). Comerciários e atendentes do setor ocupam a terceira posição com 549 casos (10,8%), seguidos por estudantes em quarto lugar com 429 casos (8,44%);
  • Rt por incidência: valor atual de Rt=1,21 , média móvel de 1,14 (tendo aumentado desde a última análise, quando o valor era de 1,06, com média móvel de 1,05);
  • Mobilidade de 27 de setembro a 24 de outubro: média de 40,57% (redução no isolamento em relação ao mês anterior quando foi registrado 42% de mobilidade). Observa-se que a mobilidade diminui aos finais de semana (sábado e domingo), com uma média de 47% de mobilidade, comparado a 38% nos dias da semana.

No infográfico 3 tem-se:

  • Perfil dos infectados por sexo: 43% masculino e 57% feminino;
  • Percentual de testes positivos mostrando um aumento no número;
  • A região administrativa da cidade  com a maior porcentagem de casos (em 22 de outubro) é o Fragata com 24%, seguido das Três Vendas com 22% e do Areal com 19,6% dos casos registrados;
  • Comparação da evolução dos casos por 100.000 habitantes para o RS e Pelotas.

Abaixo segue o gráfico da projeção de casos até o dia 05 de novembro para a cidade de Pelotas. No modelo epidemiológico SIR, foi considerada uma taxa média de reprodução R0 de 1.14 (valor da média móvel em 24 de outubro) e um período de infecção de 5.2 dias. Se a taxa de crescimento seguir como está, estima-se que até o dia 05 de novembro, Pelotas tenha mais de 5.800 casos confirmados de COVID-19.

Para mais gráficos e dados acompanhem a atualização diária para a cidade de Pelotas no site do laboratório GDISPEN (https://wp.ufpel.edu.br/fentransporte/covid-19-graficos-com-relacao-ao-rs/covid-19-pelotas/).

Este estudo tem finalidade puramente acadêmica e científica, mostrando a grande aplicabilidade da modelagem matemática em problemas reais. As discussões, opiniões, ideias e publicações geradas a partir dos resultados do modelo utilizado são de autoria dos respectivos autores, e não necessariamente representam aquelas das instituições a que estes pertencem.

Responsáveis: Daniela Buske, Glênio Aguiar Gonçalves, Régis Sperotto de Quadros

Gráficos iterativos: Gustavo Braz Kurz

Publicado em 29/10/2020, em Notícias.