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Roda de conversa, na Esef, aborda o racismo no esporte

O Coletivo Negro ERA, do curso de Educação Física da UFPel realizou na tarde da quinta-feira (28), na área de convivência da Esef, uma roda de conversa com a temática “Racismo no esporte”, tendo como convidados Camila Freda, irmã do jogador de futebol Taison Freda, e o estudante  do curso de Educação Física Marcos Oliveira, jogador do time de rugby da Esef.  O evento foi aberto ao público em geral. O tema foi escolhido durante a organização da Semana da Consciência Negra do Coletivo.

Há poucos dias ocorreu um caso de racismo com o jogador pelotense Taison, ele que atualmente joga no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia . Durante o maior clássico daquele país, o brasileiro foi alvo de insultos racistas de torcedores do Dínamo de Kiev. O pelotense reagiu aos insultos, se voltando para a torcida adversária, chutando a bola e fazendo um gesto contra os torcedores que o agrediam.

O ponto crucial foi o jogador ter sido expulso da partida e penalizado por sua reação às agressões que sofreu. O jogador deixou o campo chorando e o duelo seguiu normalmente até o apito final decretar a vitória do Shakhtar. Não foi a primeira vez que o jogador foi atacado com xingamentos racistas durante um jogo de futebol. “Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, precisamos ser antirracistas!”, disse Taison em suas redes-sociais após a partida.

Camila Freda é educadora física e participou da conversa para falar sobre o caso, como seu irmão ficou, suas experiências com o racismo na sociedade e no esporte. Durante o encontro, foram levantados temas como a percepção do racismo antes da ascensão do jogador. “O racismo no esporte percebo como eu o vejo na vida, uma coisa que acontece diariamente, uma cultura que não acaba. A gente luta, a gente tenta, a gente acaba as vezes perdendo um pouco do psicológico, é difícil”, afirma Camila.

Debates

O evento foi criado com o intuito de discutir as mais diferentes formas de racismo dentro do esporte e troca de experiências. “Como o coletivo é do curso de Educação Física por que não trazer essa discussão para dentro do curso. Eu vejo que a gente fala de corpo, fala de preconceito, mas é muito vago, muito generalizado e não fala tanto do racismo. Não trata como deveria ser tratado”, disse um dos participantes do coletivo, Bruno Freitas. “Acho importante que a gente traga pessoas próximas, que vivem coisas para mostrar que o problema não é tão distante”, ressalta Bruno.

Marcos Oliveira jogador de rugby da Esef, foi convidado por ser próximo dos estudantes, ser referência para eles. Marcos compartilhou suas experiências no esporte no amador e na vida.

O público participou bastante da conversa. Muitas pautas vieram à tona, como professores negros na Universidade, o questionamento de como acabar com o racismo, estratégias para se levar debates raciais para os meios não negros, entre outras.

De acordo com a organização do encontro, o objetivo principal foi atingido. “Deu espaço de fala para todos, com uma grande importância por ter acontecido dentro da Universidade”, observam.

Publicado em 29/11/2019, em Notícias. Marcado com as tags coletivos, ESEF, esportes, racismo.