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Congresso de Arqueologia recebe líderes indígenas e quilombolas

O Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) está ocorrendo pela primeira vez em Pelotas. A vigésima edição do evento tem como tema Memória, Patrimônio Cultural e Direitos Humanos e está recebendo líderes indígenas e quilombolas promovendo a troca de saberes e fazeres com a academia. O evento ocorre até a sexta-feira (8).

Para o presidente da SAB, Jorge Eremites de Oliveira, o fato de arqueólogas e arqueólogos trabalharem com vestígios, não exclui a possibilidade de trabalharem com as pessoas. “O tema do evento quer chamar a atenção dos profissionais para a responsabilidade política e social do nosso trabalho, principalmente neste momento difícil que estamos vivendo, de violação de direitos dos povos indígenas e quilombolas e de destruição do meio ambiente”, disse.

No mesmo sentido, o professor da Universidade Federal do Piauí, Ângelo Corrêa, que integra a Comissão organizadora do evento, ressalta a importância de dar espaço para líderes e integrantes das etnias. “Na arqueologia temos a oportunidade de recuperar muitas informações sobre estas populações, mas não queremos ter a oportunidade apenas de falar sobre estes povos, queremos dar oportunidade para que eles falem”, explicou.

Na abertura do evento, o conferencista foi o Cacique Babau, da Aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro que coordena o Mupoiba. Já na primeira mesa redonda do evento participaram o presidente da Associação Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro, Agnaldo Francisco HãHãHãe, a líder indígena do povo Terena do Mato Grosso do Sul, professora Linda Terena, e o professor quilombola João Heitor Silva Macedo. Entre os temas abordados está os direitos humanos das comunidades tradicionais e a luta dos povos indígenas pelos seus territórios.

A estudantes da UFPel, primeira mestra indígena formada pela Universidade, Kuawá Apurinã, conhecida como Pietra Dolamita, explica que o evento está sendo muito importante para a representatividade indígena dos estudantes da UFPel e dos povos indígenas como um todo. “Somos 35 estudantes indígenas na UFPel e são seis povos indígenas representados na SAB. O mais importante é que a organização do evento não nos inseriu de forma exótica na programação, eles estão tendo muita atenção e respeito conosco”, disse.

O Congresso

O evento é bianual e é realizado sempre na instituição de origem do presidente da SAB que, atualmente, é o professor do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFPel, Jorge Eremites de Oliveira. Em torno de 500 pessoas estão participando do evento, com representantes de todos os estados do País, além de representantes do exterior. Em torno de 300 pesquisas e projetos estão sendo apresentados entre as diversas atividades que estão ocorrendo.

Para o professor, a escolha de Pelotas para sediar o Congresso é uma conquista coletiva em função da importância da produção intelectual dos arqueólogos da UFPel que têm destaque nacional e internacional. “O professor Rafael Milheira também faz parte da atual direção da SAB, como membro da Comissão Editorial da Revista”, exemplificou.

De acordo com Jorge Eremites, o evento está proporcionando um giro de meio milhão de reais na economia da cidade, com empregos temporários para estudantes, hospedagens, alimentação, transportes. “Os materiais para o evento foram produzidos aqui em Pelotas e os insumos necessários na logística também foram adquiridos aqui”, informou.

Uma das expectativas dos participantes é a abertura do curso de Arqueologia que será votado nesta sexta-feira (8) pelo Conselho Universitário da UFPel e foi anunciado pelo reitor Pedro Curi Hallal na abertura do evento. O curso é, atualmente, uma extensão da Antropologia.

Sabinha

Uma das grandes novidades do evento é a Sabinha, um espaço Kids para que, em especial, as mães possam participar do evento, mas também os pais. O espaço conta com atividades específicas para crianças de até dois anos e outras atividades lúdicas e pedagógicas para crianças com mais idade. “Tem a presença de crianças indígenas e as crianças que estão participando da Sabinha falam quatro línguas: Português, Inglês, Espanhol e Guarani proporcionando uma interação muito importante”, comemora Jorge Eremites.

Expositores

Outra oportunidade para os povos quilombolas e indígenas que estão participando da XX SAB é o espaço voltado para o comércio de artesanato e livros.

Publicado em 07/11/2019, em Notícias.