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Mel e Conservação e Restauração são os destaques da UFPel na Fenadoce na segunda (10)

O público visitante da Fenadoce conheceu no estande da UFPel, nesta segunda (10), mais duas ações desenvolvidas pelos estudantes e servidores da Universidade. Além disso, o estande recebeu a visitação de cerca de 40 pró-reitores de todo o país que integram o Colégio de Pró-Reitores de Graduação (Cograd), órgão vinculado à Andifes (Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior). O grupo está reunido para discutir pautas como a conjuntura nacional e o orçamento das Ifes (Instituições Federais de Ensino Superior) e temas relativos ao ensino de graduação nas universidades federais.

Mel: o doce mais antigo do mundo

A exposição intitulada “Mel: o doce mais antigo do mundo” foi apresentada pelo professor Jerri Zanusso e pelo estudante de Agronomia Guilherme Dallmann Heinemann, da Faculdade de Agronomia. Jerri explicou que se pensarmos na evolução das abelhas, trata-se de cerca de 25 milhões de anos de produção desse alimento incrível. Então, o projeto divulga o uso do mel como adoçante natural e como elemento integrado, inteiramente, à temática da feira já que o seu uso na culinária possa ser tão antigo quanto a própria cultura humana.

O professor lembra que a abelha já foi símbolo de realeza, que em determinadas ocasiões as colmeias integravam as heranças familiares e que, inclusive, constituíam presentes de casamentos nobres. A versatilidade do mel se reflete nos produtos e receitas que com ele podem ser feitas. No entanto, o ser que propicia a existência desse alimento tão rico é um polinizador importante, cujo existência se encontra ameaçada e corre o risco de entrar em linha de extinção. O risco é multifatorial: mudanças climáticas, defensivos químicos, pragas e doenças, falta de alimento e assim vai. Há registro de dados alarmantes, fornecidos pelos apicultores locais, de 30 a 40% ou mais de perda anual dos enxames. Este é o principal objetivo do projeto, sensibilizar o público para a importância do mel e, igualmente, para as ameaças que rondam as abelhas.

O estudante Guilherme é filho de apicultor e está há mais de 12 anos trabalhando na produção de mel. Ele relata como propiciar o conhecimento sobre a apicultura é importante para que o público entenda o valor deste alimento. Nesse sentido, o curso de graduação ampliou o conhecimento de Guilherme sobre a ciência que envolve a natureza das abelhas. Ao seu conhecimento prático, soma-se o conhecimento técnico, aprimorando o seu desempenho como apicultor e promovendo o seu papel de divulgador da ciência. Guilherme se entende fazendo o seu curso para fora da Universidade, levando informação e conhecimento para um público muito maior que entendendo o valor do alimento, poderá adquirir hábitos mais saudáveis de alimentação e, talvez, somar-se aos produtores que, sobretudo, são defensores destes insetos incríveis.

Laboratório Aberto de Conservação e Restauração

A mostra intitulada “Laboratório Aberto de Conservação e Restauração” foi apresentadas pela professora Andréa Lacerda Bachettini, restauradora Keli Scolari e pelas acadêmicas Isis Fófano Gama e Kerllen Peres Cavalheiro, ambas de Curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis do Instituto de Ciências Humanas. O Laboratório, fundado em 2009, desenvolve ações de restauro e conservação de pinturas, esculturas e documentos históricos, pertencentes a acervos de instituições públicas e privadas.

Na mostra estava uma pintura óleo sobre tela, de gênero natureza morta e em um slide-show, várias outras obras e os processos de restauro empregados. Também estavam à mostra o microscópio óptico-digital utilizado para observar as camadas de tinta e os danos que deverão ser tratados, a lupa binocular para observação das fibras têxteis da trama da tela, além dos instrumentos empregados no trabalho essencialmente manual que o conservador faz sobre a obra.

Os visitantes puderam entender, assistindo aos processos e olhando pelos equipamentos, a profundidade de tempo que os materiais de cada peça acumulam e, consequentemente, compreender o que faz o restaurador. Este laboratório e mais dois outros (Laboratório de Conservação em Papel e o Laboratório de Ciência do Patrimônio, ambos do Curso de Conservação e Restauração) estão sendo os agentes do trabalho de conservação da Cápsula do Tempo de Yolanda Pereira.

Para os que não estão acompanhando o assunto, a cápsula do tempo foi retirada do monumento da Yolanda Pereira, localizado em um dos pontos da Praça Cel. Pedro Osório, no dia 7 de maio. O encontro da cápsula surgiu de uma oportunidade e de um conhecimento prévio sobre a existência dela. A oportunidade veio do trabalho de reforma feito na Praça e o conhecimento, de uma pesquisa feita por um aluno da UFPel. Yolanda Pereira é um ícone da história da cidade porque em 1930 recebeu a série de títulos que culminou com o de Miss Universo. No dia 14 de maio, após a abertura da caixa de metal, selada pela corrosão, a cápsula seguiu para o Laboratório que é o responsável pela delicada e desafiadora missão de recuperar os fragmentos do que nela foi colocado há 89 anos.

Apenas três universidades no Brasil possuem Curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais. Todas são universidades federais. No entanto, o fato de um existir em Pelotas está associado ao patrimônio que a cidade possui e reconhece, tanto material como imaterial. O patrimônio desta cidade  é um privilégio e a cidade tem o privilégio de ter quem o cuide.

Publicado em 11/06/2019, em Notícias.