Início do conteúdo

Exposição “Campo Minado” abre nesta sexta (17) na Galeria A Sala

cartaz da exposiçãoA Galeria “A Sala”, do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), abre nesta sexta-feira (17) sua nova exposição, “Campo Minado”. Com curadoria de Alice Porto e produção de Kelly Wendt, 12 artistas estabelecem relações com o ativismo feminista – que se manifesta diversamente – e abarcam possibilidades de articular trocas interpessoais e com o lugar. A conversa com as artistas está marcada para as 17h e, às 19h, ocorre a vernissage. A Galeria fica na Rua Alberto Rosa, 62.

Conforme explicam curadora e artistas, Pelotas é uma cidade que, por sua planaridade, possibilita maneiras únicas de estar junto. Seus fluxos facilitam encontros. Ruas planas e largas convidam a caminhadas, e o ritmo da cidade incentiva pausas para conversas nas esquinas e cafés. Nos últimos anos, por essas ruas lentas, começaram a circular cada vez mais artistas que incorporam em seu trabalho, sozinhas ou em colaborações, as reverberações daquela que vem sendo chamada de primavera feminista no Brasil.

E por que falar daqui, e não de outro lugar? “A presença ostensiva de artistas feministas (ou feministas artistas) nesse território sinaliza a construção de um lugar coletivo que abarca tensões e utopias”, expõem. Da participação nas manifestações combativas internacionais no espaço urbano (as Marchas das Vadias) até as performances catárticas no Instituto de Ciências Humanas da UFPel ou no centro histórico, desde a publicação do livro “Um Útero é do Tamanho de Um Punho”, de Angélica Freitas (que já é um marco na poesia feminista nacional), até as inúmeras zines que circulam nos circuitos de publicações independentes, Pelotas demarca um espaço firme de resistência coletiva das mulheres contra o peso naturalizado e invisível da tradição.

“Campo Minado” é um recorte da produção artística latente nestas ruas, no interior das construções e do campo cultural. Tendo em vista aquelas que circulam e, portanto, constroem a paisagem pelotense, “minas que minam” este espaço, a exposição busca manifestar que ainda é preciso – e, talvez, nesse momento mais do que nunca – reinventar o cotidiano, o espaço da mulher na cidade, as redes de cuidado e afeto, mas também as de combate.

As artistas participantes estabelecem relações com o ativismo feminista quer seja pela abordagem da afetividade e sexualidade entre mulheres, pelo questionamento dos limites do espaço público ou do lar a partir do corpo da mulher, pela arquitetura da cidade como metáfora da construção de uma linguagem, pelo corpo que opera ou é impactado pela imposição da feminilidade, e que também surge como paisagem ou abstração.

“A produção de arte aqui se dá a partir da percepção de que não existe neutralidade no corpo que a produz. Pontua de modo crítico a cidade, o espaço e suas especificidades”, declaram.

Campo Minado – Artistas participantes:
Amanda Abreu
Bruna Silva
Camila Cuqui
Fabiana Faleiros
Jessica Porciuncula
Julia Pema
Lua Miranda
Mariane Simões
Martha Gofre
Rafa
Rafa Inácio
Stela Kubiaki

Publicado em 16/05/2019, em Notícias. Marcado com as tags Artes, Centro de Artes, Exposição, Galeria A Sala.