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Para Mulheres na Ciência: docente da UFPel recebe prêmio destinado a pesquisadoras

Em meados de julho, o telefone da professora da UFPel Ethel Wilhelm tocou: a ligação era do presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich. Ele a comunicava de que seria uma das vencedoras do prêmio “Para Mulheres na Ciência”, um segredo que deveria ser guardado até a última segunda-feira (13), quando o resultado se tornaria público.

“Fiquei bastante emocionada e feliz”, conta Ethel, ao recordar o telefonema. Afinal, ela seria uma das sete pesquisadoras selecionadas para a premiação, capitaneada pela ABC, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela L’Oréal, marca de cosméticos.

Esta é a 13ª edição do “Para Mulheres na Ciência”, programa que escolhe, entre trabalhos inscritos, trabalhos com potencial de encontrar soluções para importantes questões ambientais, econômicas e de saúde. São quatro categorias, de onde saem sete premiadas: Ciências da Vida, Química, Matemática e Física. A edição deste ano bateu recorde de participação, quando, ao todo, foram registradas 524 inscrições, 34% a mais que em 2017. Esta é a quarta vez que pesquisadoras da UFPel recebem a láurea: em 2011, uma das vencedoras foi a professora Mariana Vieira; já em 2012, foram premiadas as professoras Márcia Mesko e Roselia Maria Spavenello.

A pesquisa inscrita por Ethel tem por objetivo final trazer mais conforto a uma parcela da população cujo crescimento está em alta no Brasil: os idosos. A busca é por garantir mais qualidade de vida aos pacientes que sofrem os efeitos colaterais dos processos quimioterápicos.

Segundo a pesquisadora, cerca de 85% dos pacientes envolvidos nesse tipo de tratamento, de todas as idades, desenvolve um sintoma da neuropatia chamado hiperalgesia, ou seja, uma sensibilidade aumentada à dor. E este efeito adverso permanece mesmo após o fim do processo.

Por meio de ensaios em animais, investigam-se as alterações bioquímicas ocorridas com o envelhecimento e entender o porquê dessas mudanças. Outro experimento é o de constatar se camundongos mais velhos são mais suscetíveis à neuropatia que mais jovens. Caso isso seja identificado, aí a busca é por tratamentos para isso. “Já temos compostos orgânicos pesquisados que podem colaborar para isso”, explica Ethel.

A pesquisa é conduzida por investigadores ligados ao Laboratório de Farmacologia Bioquímica (Lafarbio), liderado pela vencedora do prêmio e pela professora Cristiane Luchese, além de diversos estudantes dos cursos do Centro de Ciências Químicas, Farmacêuticas e de Alimentos (CCQFA).

Visibilidade

O termo “visibilidade” foi utilizado diversas vezes pela professora Ethel ao referir-se à premiação da ABC, Unesco e L’Oréal. A primeira delas é aquela que é a essência do “Para Mulheres na Ciência”: mostrar a participação feminina no mundo da ciência, promovendo a igualdade de gênero no setor, e as pesquisas de ponta lideradas por elas.

A docente afirma que a representatividade feminina está melhorando, mas que ainda há muito a melhorar: “No nosso laboratório só há um rapaz. Mas quando chegamos a níveis mais altos de representatividade, isso se inverte. Quantos cargos de gestão são exercidos por mulheres, até mesmo aqui na UFPel?”, questiona. Por isso, uma láurea como a recebida, é uma mostra para outras meninas e mulheres que é possível.

A outra visibilidade permitida é a da ciência feita fora dos grandes centros. “A gente está aqui e tem tantas possibilidades quanto, mas nas premiações, os grandes centros acabam tendo mais visibilidade”, diz Ethel. Querendo mostrar sua origem a todos os que tivessem acesso às notícias do prêmio, ela fez questão de posar para as fotos de divulgação com sua cuia de chimarrão.

A terceira é a visibilidade da própria ciência, pois premiações divulgam pesquisas realizadas nas diversas instituições brasileiras. “Às vezes ficamos no anonimato, mesmo fazendo coisas interessantes”, pontua.

Para o coordenador de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, Marcos Britto Corrêa, é um motivo de grande orgulho para a UFPel ter sua pesquisadora sendo reconhecida em nível nacional. “Esse prêmio ressalta o papel da mulher na Ciência, em especial o seu protagonismo”, diz.

Quem é a premiada

Natural de Cerro Largo (RS), mas vivendo boa parte de sua vida em Rolador, na região das Missões, Ethel Antunes Wilhelm é licenciada em Química pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mesma instituição pela qual se tornou mestre e doutora em Bioquímica Toxicológica.

Ingressou no magistério superior da Universidade Federal de Pelotas em dezembro de 2013. Está lotada no Centro de Ciências Químicas, Farmacêuticas e de Alimentos (CCQFA), onde ocupa a função de coordenadora adjunta do programa de pós-graduação em Bioquímica e Bioprospecção. Também é bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A solenidade de premiação de Ethel e das demais vencedoras ocorrerá no dia 4 de outubro, na sede da L’Oréal, no Rio de Janeiro (RJ).

Publicado em 16/08/2018, em Destaque, Notícias.