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Possíveis cortes no orçamento da Capes podem paralisar pesquisa brasileira

“O quadro é desolador”. Com essas palavras, o pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da Universidade Federal de Pelotas, Flávio Demarco, definiu o cenário da ciência e da tecnologia brasileiras caso o corte de recursos previstos para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) seja aprovado na nova Lei Orçamentária Anual (LOA).

O tema ganhou espaço no debate público nesta quinta-feira (2), quando o presidente da Capes, Abilio Baeta Neves, encaminhou ao ministro da Educação, Rossieli da Silva, nota do Conselho Superior da entidade atentando para as principais consequências dos cortes previstos, na casa de R$ 500 milhões:

– a suspensão do pagamento de todas as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado;

– a suspensão do pagamento das bolsas dos programas de Iniciação a Docência (Pibid) e de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor);

– a interrupção do sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB);

– a interrupção dos mestrados profissionais para qualificação dos professores da Educação Básica (ProEB);

– prejuízo à continuidade dos programas de cooperação internacional.

A ação prejudicaria diretamente mais de 400 mil pessoas. No entanto, este é o cálculo apenas dos bolsistas dos programas da Capes. Um impacto muito maior seria sentido em todo o desenvolvimento de ciência e tecnologia brasileiro caso isso venha a cabo. “É um tiro fatal para o sistema de pós-graduação no Brasil”, diz o coordenador de Pós-Graduação da PRPPGI, Rafael Vetromille.

De acordo com os gestores, as consequências dessa redução drástica de orçamento da Capes na ciência brasileira são enormes, pois o não pagamento de bolsas influencia diretamente as atividades de desenvolvimento de pesquisa: “Muitos dos nossos estudantes de pós-graduação dependem das bolsas para desempenharem suas atividades”, explica Vetromille. Ele afirma que são esses subsídios que permitem que os pesquisadores mantenham-se em ação em seus laboratórios.

Além de paralisarem as atividades científicas em diversas instituições de pesquisa, o impacto também seria sentido no número de titulados nas pós-graduações brasileiras, além de um aumento na evasão dos programas de mestrado e doutorado. Outro fenômeno será a “fuga de cérebros” brasileiros para instituições estrangeiras.

O pró-reitor relembra que a Capes foi a responsável por colocar o Brasil no mapa da pesquisa no mundo. De acordo com Demarco, antes da criação do órgão, o país era invisível no cenário científico; a partir da fundação da Coordenação, houve uma implementação da pós-graduação de fato no Brasil.

Tanto para Demarco quanto para Vetromille, a única esperança é uma mobilização massiva da sociedade civil brasileira: “Gente de todo o Brasil está se insurgindo contra isso”, diz o pró-reitor. Para eles, o movimento deve ser ainda maior para que possa ser sentido pelos elaboradores do orçamento federal.

Números

Bolsas Capes na UFPel que poderão ser afetadas caso seja mantida a perspectiva do corte:

– 328 bolsistas de Doutorado.

– 387 bolsistas de Mestrado.

Estão incluídas aí as bolsas Capes administradas pelos cursos e pela Pró-Reitoria.

Na UFPel, são 267 acadêmicos com bolsas Pibid.

Nos três cursos de graduação da UAB oferecidos na Universidade, são 1.459 alunos.

Nos dois cursos de especialização da UAB na UFPel, são 410 estudantes.

Publicado em 03/08/2018, em Destaque, Informes Acadêmicos, Notícias.