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Moradores estão instalados na nova Casa do Estudante

Alunos moradores da Casa do Estudante da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) têm um novo lugar para chamar de seu. Há um mês os acadêmicos estão na nova moradia, que fica na Rua Três de Maio, esquina Santa Tecla. Enquanto isso, a Universidade passa pelo processo de desocupação do antigo prédio, alugado, que historicamente cumpriu a função de moradia estudantil pública na cidade de Pelotas desde a década de 1970.

“Estou muito feliz por estar aqui. É uma grande conquista, um espaço melhor e mais digno para se viver”, resume um dos moradores do apartamento 404, o estudante de Odontologia Marcelo Pereira da Silva, 24 anos. Natural de Parauapebas, no Pará, o acadêmico fez de Pelotas sua segunda casa desde 2015 e destaca especialmente a estrutura do novo local.

O prédio, de 60 apartamentos, nunca havia sido habitado. Agora, começa a ser lar para 300 pessoas. Já estão sendo utilizados espaços coletivos do andar térreo, como Lavanderia, Sala de Convivência, Sala de Eventos, Sala de Informática. Em breve, estarão finalizados a cozinha e o Restaurante Universitário. Da mesma forma, o contrato de manutenção do elevador já está sendo licitado para que possa entrar em operação.

Na avaliação do chefe do Núcleo de Políticas Educacionais da UFPel, Rosendo Caetano, a Universidade passa a ter a melhor casa, em condições de estrutura, da Metade Sul e do Noroeste do estado. Segundo ele, foram três meses de preparação para a mudança, que incluiu visitas a instituições de ensino para conhecer funcionamentos, situação de qualidade de vida, sistemas de gestão e políticas pedagógicas relacionadas à moradia estudantil.

A nova Casa recebeu os alunos que se mudaram da antiga, outros que migraram do Auxílio-Moradia e ainda intercambistas e indígenas. Logo, abrigará ainda estudantes aprovados na seleção feita recentemente. “A mudança foi muito tranquila”, conta.

Estimando ser talvez o morador mais antigo atualmente, Jason Borba, 29, ingressou na CEU em 2009, para cursar Ciências Sociais e hoje é mestrando em Sociologia. Mora na parte do prédio dedicada aos estudantes de pós-graduação, uma novidade na assistência estudantil. Para ele, houve ganhos em aspectos como espaço, que foi ampliado, e a cozinha própria do apartamento, o que não existia na Casa antiga. “Em questão de qualidade de vida, vai melhorar muito. Vamos estudar melhor e isso é fundamental”, opinou.

Lugar simbólico
O prédio da antiga CEU não é propriedade da UFPel nem do Governo Federal. O imóvel da rua Andrade Neves esquina General Teles é particular e foi alugado 1973, para suprir a demanda de moradia estudantil. Na época, a Universidade mantinha cinco casas para alojar os estudantes de fora de Pelotas.

Originalmente, o local abrigaria uma maternidade, o que não chegou a ocorrer. Assim, foi locado pela UFPel. Após a liberação do “habite-se”, o contrato foi assinado em dezembro de 1973, pelo então reitor Delfim Mendes Silveira. O local passou a servir de moradia para “estudantes do sexo masculino, carentes de recursos financeiros”.

Foi só em 1984 que as mulheres tiveram acesso oficial à CEU. O direito à moradia para moças na Casa foi uma das pautas da greve ocorrida em 1983.

A experiência na Casa marca a vida e define destinos de quem passa por ela. Para Anderson Rotuno, 39 anos, que morou na CEU de 1999 a 2004, a vivência coletiva o fez rever atitudes, ser solidário, tolerante e feliz com muito pouco. Hoje trabalhando na Extensão Rural da Emater-RS/Ascar, o então estudante de Agronomia veio de Santa Vitória do Palmar e lembra da rotina dos moradores: ir para aulas, estágios ou mesmo trabalho, em tempos de provas estudar nas salas de estudo, em tempos de ameaça à assistência estudantil fazer a luta pela manutenção dos direitos. “Foi a única forma de eu, filho de empregada doméstica, fazer uma faculdade. Não teria condições de senão fosse a Casa do Estudante, o RU e o transporte gratuito para o Campus”, ressalta.

Para Carolina Vaz, 35, moradora de 2003 a 2008, a vivência na CEU fez com que se tornasse uma pessoa mais compreensiva. “Entender o motivo do próximo antes de julgar é bem interessante nas relações de trabalho e da vida. A Casa me ensinou a conversar com diversas personalidades”, conta. Compartilhar lanches, momentos de estudo – e os desafios de viver coletivamente – marcaram a nutricionista. “Às vezes, dormia e acordava mais tarde para estudar na madrugada, porque tinha mais silêncio. Ao acordar, de bom humor ou não, tinha que dar ‘bom dia’ para pelo menos 200 pessoas. Ser um ser coletivo 24 horas por dia não é para qualquer um. A Casa foi minha segunda faculdade. Saí formada em Nutrição e em relações humanas”, conta.

Para Carolina, natural de Rio Grande, a CEU representou a oportunidade de estudar e crescer como pessoa. Faria tudo novamente, do mesmo jeito. “Valeu muito a pena viver essa experiência. Não sei quem eu seria se não tivesse passado pela Casa”.

Nova Casa do Estudante
Rua Três de Maio, esquina Santa Tecla
Capacidade: 60 apartamentos – 20 de um quarto (com capacidade para três estudantes) e 40 de dois quartos (que abrigam seis pessoas), todos com sacada, banheiro completo e isolamento acústico
– Wi-fi em todos os andares
– Lavanderia
– Sala de Convivência
– Sala de Eventos
– Sala de Informática
– Restaurante Universitário
– Linha do Transporte de Apoio
– Portaria 24 horas
– Todos os andares e área externa guarnecidos por câmeras de segurança

Cada apartamento tem o mobiliário básico:
– Mesa com quatro cadeiras
– Balcão com pia
– Geladeira
– Varal portátil
– Cortina para Box
– Duas poltronas
– Dois puffs
– Tanque para roupas
– Mesa de estudos
– Rack para TV
– Um armário por morador

Publicado em 30/11/2017, em Destaque, Notícias.