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Proposta de ensino inovadora da UFSB é abordada em palestra

usfb_umA experiência inovadora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) foi apresentada na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) na manhã desta sexta-feira (26). A professora Denise Coutinho dividiu, com docentes e alunos da UFPel, a proposta pedagógica da instituição baiana, que estabelece, entre outros aspectos arrojados, o ingresso do estudante em um ciclo interdisciplinar, escolhendo apenas entre licenciatura ou bacharelado.

A visita de Denise teve a proposta de trocar experiências dos modelos de projeto pedagógico e metodologias de pesquisa e produção, buscando qualificar especialmente as discussões sobre os temas no Centro de Artes da UFPel.

Na oportunidade, a convidada explanou sobre as características diversas de sua instituição, que se pretende uma universidade popular enraizada na região. Expresso em sua Carta de Fundação, a UFSB possui um compromisso explícito com a educação básica pública. Ao mesmo tempo, valoriza os “mestres e mestras dos saberes populares”, que atuam como docentes da Universidade. Um regime quadrimestral – em vez do clássico semestral -, e componentes curriculares totalmente interdisciplinares também são aspectos estabelecidos na instituição.

ufsb_doisA trajetória do acadêmico na UFSB pode ser dividida em três ciclos. No primeiro, o estudante escolhe entre bacharelado interdisciplinar ou licenciatura interdisciplinar. Após os três anos de duração desta etapa, escolhe se quer, com diploma pleno, ter acesso ao mundo do trabalho, ou progredir aos outros dois ciclos. No segundo, terá sua formação específica. No terceiro, passa para a pós-graduação. “Em vez de entrar em um curso, o estudante ingressa numa grande área. Nesse período, tem liberdade para mudar de área. O que foi feito, fica como conteúdo optativo. E ele complementa as disciplinas que faltaram. Promovemos a ideia de ‘não esteja tão certo de que é isso que você quer’”, provocou, bem-humorada, a palestrante.

O compromisso com a educação básica pública está evidenciado em um Programa de Formação Interdisciplinar de Professores para a Educação Básica. O relacionamento estreito com a educação pública também se materializa nos Colégios Universitários, parte integrante da Universidade que funciona em instalações da rede estadual de Ensino Médio. O programa curricular é equivalente à formação geral dos bacharelados interdisciplinares.

Apesar de seguir algumas experiências prévias já colocadas em prática pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), a UFSB foi totalmente criada nessa nova concepção. Sua fundação foi em 2013.

ufsb_tresDesafios
Segundo Denise, apesar da prática inovadora, os professores da UFSB provêm de formações disciplinares, o que se torna um desafio para a efetividade da proposta. Diante da iniciativa, os familiares dos alunos ainda possuem dúvidas. “Nosso sistema educacional tradicionalmente forma profissionais. Também forma, mas precisa preparar cidadãos críticos e transformadores do mundo”, pontuou.

Outro dos desafios, segundo a docente, é conviver, acolher e saber lidar com as diferenças. Afinal, o público é muito mais heterogêneo. “Acolhemos camadas antes excluídas, que trazem consigo todas as suas questões. Antes, a universidade atendia a elite”, disse.

Contribuição
Para a diretora do Centro de Artes da UFPel, professora Úrsula Rosa da Silva, a visita de Denise mostra que o segmento tem percorrido um caminho positivo na UFPel. Segundo ela, pesquisa e extensão já têm trabalhado fortemente contextos e diálogos interdisciplinares. Ao mesmo tempo, o recente Programa de Pós-Graduação em Artes possui linhas de concentração que recebem profissionais de diversas áreas do conhecimento. “De certa forma, temos um perfil que assimila o trabalho colaborativo”, destacou. Isso também se reflete na especialização.

Segundo a diretora, os saberes populares valorizados na UFSB também encontram eco na UFPel, ao identificar potencialidades da comunidade e preparar o artista para sua atuação junto às pessoas, sem fronteiras. “O saber é um todo. Não vem em compartimentos. É papel da universidade promover esse trânsito que o aluno precisa ter em todas as áreas”, disse.

Pesquisa e Produção de Conhecimento
No dia anterior, a palestrante compartilhou vivências a respeito de questões de metodologia de pesquisa e produção do conhecimento na área de Artes. Neste encontro, ela abordou as políticas de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), de que maneira os Programas se subdividem em áreas e subáreas e as linhas de pesquisa. De acordo com Denise, a situação das Artes não é diferente de outros programas, especialmente do segmento de Humanas. “Essa fluidez de linhas de pesquisa mostra que há muitas coisas a compartilhar”, disse.

Publicado em 26/06/2015, nas categorias Destaque, Notícias.