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Segundo debate na Comunidade Universitária expõe forte divergência sobre a Ebserh

DSC_0016O segundo debate realizado na Comunidade Universitária da UFPel sobre a adesão ou não à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) expôs a forte divergência existente sobre o tema. A discussão, realizada no fim da tarde desta quarta-feira (11), no auditório da Faculdade de Medicina, colocou frente a frente posições antagônicas e provocou um debate acalorado e em certos momentos até ríspido.

DSC_0079O debate inicial da série que pretende esclarecer a comunidade sobre o processo de adesão da UFPel à Ebserh foi realizado na manhã da quarta-feira, na Faculdade de Agronomia, no campus Capão do Leão. A partir das 9h desta quinta-feira (12), no auditório do Hospital Escola, novas discussões são realizadas, desta vez tendo como público específico a comunidade do HE.

O evento na Medicina foi mediado pelo servidor Paulo Koshier, tendo como componentes da mesa Claúdio Augustin, membro da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde, Elizabeth Barbosa, da Universidade Federal Fluminense e do Andes-Sindicato Nacional, estes dois contrários à Ebserh, e Maria do Carmo, do Ministério da Saúde, e Hervaldo Carvalho, da Universidade de Brasília, que defenderam a Empresa.

A representante do Andes disse que o Sindicato tem realizado uma campanha de mobilização contra a Ebserh e defendeu que as universidades devem construir as gestões de seus hospitais. “A Ebserh é uma empresa privada, portanto, sua perspectiva é a do lucro”, disparou Elizabeth. Ela questionou como ficarão as pesquisas nos hospitais após a ligação com a Empresa. “O contrato com a Ebserh fere a autonomia universitária e o caráter público da instituição”, frisou.

Alternando a posição das manifestações, o orador seguinte foi Carvalho, que garantiu que a Empresa oferece atendimento público de alta qualidade, integral e com estruturas adequadas às necessidades da população. “A equipe de gestão é da própria Universidade, e é ela quem manda, apenas devendo ser seguidas as diretrizes da Empresa. O Hospital fica integrado à comunidade e a empresa é pública sim, cem por cento SUS”, afirmou, revidando a intervenção da docente da UFF.

Retomando as manifestações contrárias à contratualização, Augustin lembrou que o SUS foi resultado de um processo de lutas do povo brasileiro e que os postos de trabalho nos hospitais universitários devem ser ocupados por servidores públicos, e não por funcionários terceirizados. “A criação da Ebserh faz parte do processo de privatização da saúde. Como empresa que é, ela se destina à atividade econômica, ou seja, isto é privatização. Saúde não é mercadoria”, pregou.

A possibilidade de crescimento dos hospitais, tanto em área física quanto de recursos humanos, foi destacada pela representante do Ministério da Saúde. “Os investimentos realizados pela Ebserh atenderão as necessidades de modernização dos hospitais”, sublinhou Maria do Carmo. Para ela, a Empresa é pública, e não privada. “É do MEC”, resumiu, tentando por um ponto final à divergência.

Após as primeiras manifestações, foi aberto espaço para fala da representante dos sindicatos de servidores da UFPel, Adufpel e Asufpel, Tereza Fujji. Ela retratou a posição contrária das entidades à Ebserh, dizendo que não é verdade que a recusa à Empresa inviabilizará a construção do Hospital Escola da UFPel. “O Hospital virá de qualquer jeito, com ou sem Ebserh”, enfatizou.

Após manifestações da plateia, feitas com prévias inscrições, foi a vez do reitor da UFPel, Mauro Del Pino, que chegou no evento mais tarde, pois cumpria agenda na reitoria, apresentar sua posição, que já é pública a favor da contratualização com a Ebserh.

Ele apresentou um diagnóstico da situação do HE da UFPel e colocou a empresa como alternativa para solução dos mais graves problemas do Hospital, incluindo-se aí os referentes a recursos humanos. “O Hospital tem um déficit mensal de R$ 1,23 milhão, valor que é compensado com recursos da Universidade. Este dinheiro poderia estar sendo usado em outras atividades acadêmicas”, defendeu.

Ao final do evento, foi aberto espaço para perguntas aos componentes da mesa.

 

Publicado em 12/12/2013, em Destaque.